Um software de gestão para empresas de fabrico de moldes junta o orçamento e a encomenda de moldes, a gestão de projetos de engenharia e de fabrico, o controlo de produção nas máquinas, o controlo dimensional e de qualidade e a faturação a clientes internacionais.

Escrevemos este guia como quem constrói este tipo de software e, onde temos um exemplo em vídeo, mostramo-lo. Cada empresa de moldes tem os seus processos, máquinas e clientes, e isso conta para o orçamento: um MES completo, com integração de máquinas e de máquinas de medição, é um projeto orçado caso a caso, enquanto módulos isolados (orçamentação, painel de prazos, app de chão de fábrica) têm patamares de entrada, como se vê no fim deste guia.

Portugal é um dos principais centros mundiais de fabrico de moldes, sobretudo na Marinha Grande e na Batalha. O setor, representado pela CEFAMOL (Associação Nacional da Indústria de Moldes), inclui moldes de injeção de plástico, com precisão de centésimas de milímetro para o automóvel, a eletrónica e a embalagem, moldes para borracha e compósitos, ferramentas de estampagem, moldes para fundição e manutenção de moldes.

Um molde de injeção, em corteMetade fixaMetade móvelInjeçãoCavidade (a peça em plástico)EjetoresRefrigeração
Esquema ilustrativo. O plástico entra pelo canal de injeção e enche a cavidade, e os ejetores retiram a peça depois de arrefecer. Cada componente deste molde tem a sua ordem de fabrico e o seu controlo dimensional.

Orçamento, projeto de engenharia e planeamento de fabrico

  • Orçamento: análise do componente a injetar, arquitetura do molde (cavidades, tipo de injeção), material (aço P20, H13 ou inox), tempo de fabrico e preço, com margem para maquinagem, tratamentos térmicos e ensaios. Exige tabelas de horas-máquina e horas-homem.
  • Encomendas internacionais: desenhos 3D do componente (formatos STEP ou Parasolid), prazo de entrega, normas de qualidade do cliente (nos clientes automóvel, requisitos alinhados com a IATF 16949 e o PPAP) e pagamentos por etapas: encomenda, aprovação das amostras e entrega.
  • Projeto de engenharia: projeto 3D em CAD/CAM (por exemplo, Catia, NX, SolidWorks ou Mastercam), programas CNC para fresagem, EDM e retificação, e lista de materiais (aços, elementos normalizados, postiços, guias, molas, câmara quente ou bico). O software organiza os documentos técnicos e as versões.
  • Planeamento de fabrico: sequência das operações, da receção dos blocos de aço à fresagem de desbaste e acabamento, à eletroerosão (EDM) nas geometrias complexas, à retificação das superfícies de vedação, ao polimento das superfícies de moldação e ao tratamento térmico de têmpera, com sequenciamento de máquinas. No exemplo que fizemos para uma metalomecânica fictícia, no setor da fabricação, quando entra uma encomenda urgente, a ordem afetada passa para o dia com folga e a data prometida mantém-se. Numa empresa de moldes, a mesma grelha por máquina pode juntar fresagem, eletroerosão e retificação.

Maquinagem CNC, ensaios e qualidade de moldes

  • Controlo de produção: acompanhamento do fabrico de cada componente nas máquinas CNC e EDM: estado de cada operação, horas-máquina consumidas face às orçamentadas, desvios de prazo por operação e por fase. Os dados podem vir da máquina, se o fabricante der acesso, ou do operador: na mesma metalomecânica fictícia, o operador regista início, paragens, peças boas e refugo num tablet e o escritório compara o tempo previsto com o real.
  • Controlo dimensional: medição dos componentes críticos numa máquina de medição tridimensional (CMM), comparação com o projeto CAD e relatório com as tolerâncias cumpridas e os desvios.
Controlo dimensional: cada cota contra a sua tolerância
Cota A25,000 ± 0,010
medido 25,004 ✓
Cota B42,500 ± 0,005
medido 42,509 ✕
Cota C12,000 ± 0,020
medido 11,991 ✓
Cota D80,000 ± 0,010
medido 80,002 ✓
A faixa verde é a tolerância. O ponto é o valor medido na CMM.
Valores hipotéticos, em milímetros. O software compara o valor medido na CMM com o projeto CAD e assinala as cotas fora da tolerância.
  • Ensaios (tryout): o molde é ensaiado na máquina de injeção do cliente, com a injeção das primeiras amostras, a verificação dimensional e visual, o relatório de desvios e a lista de modificações a fazer antes da aprovação das amostras. A indústria automóvel exige, em regra, o processo PPAP (Production Part Approval Process).
A aprovação de amostras, tryout a tryout
Tryout 1
9 cotas fora
Tryout 2
4 cotas fora
Tryout 3
1 cota fora
Tryout 4
amostras aprovadas ✓
Cada tryout gera uma lista de modificações. O molde só segue para produção quando as amostras são aprovadas.
Exemplo com valores hipotéticos. O sistema guarda o resultado de cada tryout, as modificações pedidas e a evolução até à aprovação das amostras (PPAP, quando o cliente o exige).
  • Qualidade: plano de controlo de cada molde, manutenção preventiva do molde em uso no cliente, não conformidades e auditorias dos clientes OEM.
  • Peças de substituição e manutenção: stock de peças para os moldes em uso nas linhas dos clientes (postiços, guias, casquilhos, bicos, ejetores) e intervenções de manutenção preventiva e corretiva.
  • Faturação: fatura do molde ao cliente estrangeiro, com o enquadramento de IVA das exportações e das transmissões intracomunitárias (a validar com o contabilista), e faturas de modificações, de peças e de manutenção.

Exportação, propriedade do molde e indicadores

  • Clientes internacionais: multinacionais que compram moldes em Portugal para fábricas noutros países, com reuniões remotas, visitas ao tryout e contratos em inglês. Um CRM ajuda a acompanhar cada cliente.
  • Propriedade do molde: em regra, e conforme o contrato, o molde pertence ao cliente que o encomendou e pagou, e a empresa deve conservá-lo e devolvê-lo quando pedido. Convém registar os moldes guardados na empresa que pertencem a clientes, com o proprietário identificado.
  • Desvio de prazo de entrega: dias de atraso face ao prazo contratado. É o principal indicador face ao cliente: os atrasos afetam o arranque das linhas dele e podem gerar penalizações contratuais.
  • Orçamento face ao custo real: define a margem efetiva de cada projeto. Num exemplo que fizemos para uma fábrica fictícia, no setor da indústria, cada encomenda compara o custo orçamentado com o apurado e os tempos de referência da peça são atualizados. Numa empresa de moldes, pode servir para rever as horas de maquinagem quando os desvios são sistemáticos.
  • Utilização das máquinas CNC e EDM (OEE): é o principal custo fixo da empresa e determina a capacidade de entregar no prazo.
  • Receita por tipo de cliente e por setor: automóvel, embalagem, eletrónica ou consumo, para medir o risco de concentração.

O que perguntar a um fornecedor de software para moldes

A nossa recomendação: se a empresa trabalha um só tipo de molde, com poucas máquinas e um orçamento estável, um programa de prateleira pode chegar. À medida faz mais sentido quando o orçamento assenta em tabelas de horas próprias, quando cada cliente pede o PPAP no seu formato, quando há tryouts e modificações a seguir molde a molde, ou quando o CAD/CAM e as máquinas guardam dados que ninguém cruza.

Pergunte ao fornecedor: o sistema liga ao CAD/CAM que já usa, se der acesso ou por exportação? Comunica com as máquinas CNC e EDM? Exporta relatórios de controlo dimensional compatíveis com o PPAP dos clientes automóvel? Faz faturação multimoeda com o tratamento de IVA para exportação? Como trata a rastreabilidade das modificações ao molde? Qual é o prazo típico de implementação para uma empresa do seu tamanho?

Quanto custa software à medida para uma empresa de moldes

Um sistema integrado, com MES, integração de máquinas e de CMM, é um projeto de orçamento personalizado. Para módulos e complementos, os projetos começam nestes patamares: automação pontual, como alertas de atraso de fases, a partir de €300; dashboard de prazos e de desvios de orçamento a partir de €500; aplicação web, como a orçamentação ou a gestão de tryouts, a partir de €800; app mobile para o chão de fábrica a partir de €2.500; manutenção mensal a partir de €50. As integrações com CAD/CAM, máquinas e CMM são orçadas caso a caso, e o preço final fixa-se na proposta.

Veja os exemplos de software para fabricação e os exemplos por setor. O controlo de ordens de fabrico, a rastreabilidade de material e a integração com equipamento de linha estão no guia de software para indústria e fabricação. Costumamos começar pelo processo mais repetitivo e ligamos ao que já existe por API, se der acesso, ou por exportação. Contacte-nos e diga-nos por onde quer começar.