Numa fábrica de plásticos, ordens, moldes, lotes de granulado e declarações dos fornecedores vivem muitas vezes em folhas diferentes, e nota-se numa reclamação ou numa encomenda urgente. Este guia é para quem gere uma fábrica de injeção, extrusão, sopro, termoformagem ou embalagem flexível e está a decidir entre um programa de prateleira e um feito à medida.
Escrevemo-lo como quem constrói este tipo de software e, onde temos exemplo em vídeo, mostramo-lo. Cobre as funções, as regras, a decisão e o custo.
O setor é diverso. A injeção produz componentes em termoplásticos (polipropileno, ABS, nylon, policarbonato) para automóvel, eletrónica, consumo e saúde, muitas vezes com moldes da região da Marinha Grande. A extrusão faz tubos, perfis e filmes; o sopro e a termoformagem, garrafas e embalagens; a embalagem flexível converte e imprime sacos e filmes; a reciclagem tritura e granula plásticos pós-consumo e pós-industriais.
Ordens de fabrico e planeamento das máquinas
Uma ordem de fabrico de injeção inclui a referência do componente, a quantidade, o molde, a matéria-prima (polímero e cor), a máquina, os parâmetros de processo (temperatura, pressão, tempo de ciclo) e o prazo de entrega. O planeamento junta a ordem ao molde e à máquina certos, considerando a força de fecho, e ordena as ordens para reduzir as mudanças de material e de cor, que obrigam a purgar a máquina.
Num exemplo que fizemos para uma metalomecânica fictícia, do setor da fabricação, as ordens estão numa grelha por máquina e por dia. Uma encomenda urgente empurra a ordem afetada para o dia com folga, e a data prometida ao cliente continua a cumprir-se. Numa injetora, a troca de molde pode ter tempo próprio por máquina.
- Alocação de moldes a máquinas pela força de fecho e pelas dimensões.
- Sequenciação para reduzir purgas, sem pôr em risco os prazos dos clientes.
- Ocupação de cada máquina, com o plano numa grelha ou em Gantt.
- Parâmetros de processo registados por ordem, para as repetições serem consistentes.
Moldes e ferramentas
O molde é um dos ativos mais caros da fábrica, e muitas vezes não é da fábrica, mas do cliente. O software guarda o inventário de moldes (referências, cavidades, localização), o contador de injeções, o histórico de intervenções e o plano de manutenção preventiva, e mostra se o molde está na fábrica ou no fabricante para manutenção. O limite de injeções para a manutenção é definido pela empresa ou pelo fabricante do molde.
Qualidade e matéria-prima
- Controlo dimensional e visual no arranque e na produção, cor por colorímetro e peso médio por injeção para detetar falhas de enchimento.
- Não conformidades registadas e segregadas antes da entrega, com análise de causa para as referências que mais rejeitam.
- Granulado em armazém: por polímero e cor, com os certificados de análise dos fornecedores e as condições de armazenagem. Materiais higroscópicos, como o nylon e o PET, têm de ser secos antes da injeção, e o sistema pode registar os tempos de secagem por lote.
- Indicadores de qualidade: a taxa de rejeição por referência. Veja também o guia de software de controlo de qualidade ISO 9001.
Extrusão, sopro e termoformagem
- Extrusão: velocidade de linha, temperaturas por zona, espessura, controlo dimensional em linha, e ordens por comprimento ou por peso de bobina.
- Sopro: parâmetros de processo, verificações de espessura e de capacidade das garrafas e perdas por defeito.
- Termoformagem: espessura do filme à entrada e dimensões das embalagens.
- Ligação às máquinas: a leitura automática depende de cada injetora, extrusora ou controlador, e avalia-se caso a caso. Num exemplo para uma fábrica fictícia do setor da indústria, os ciclos de uma prensa são lidos do controlador e as paragens sem motivo ficam assinaladas para o operador as explicar no posto. Só quando o equipamento o permite; nas restantes, por exportação ou registo do operador.
Rastreabilidade e embalagem alimentar
Em embalagem alimentar e em componentes médicos, saber que lote de matéria-prima entrou em cada lote de produto é essencial. O software deve ligar o lote de granulado, o certificado do fornecedor, a ordem de fabrico e o lote de produto acabado, com a localização no armazém e os alertas de stock mínimo.
Na mesma metalomecânica fictícia, um cliente reclama de caixas com a soldadura a abrir. Da guia de remessa chega-se à ordem, ao operador e ao lote de chapa, e o lote que entrou noutras ordens é bloqueado e a qualidade é avisada. Com granulado, o caminho pode ser o mesmo.
- Materiais em contacto com alimentos: o Regulamento (UE) n.º 10/2011 trata dos materiais e objetos de plástico destinados a entrar em contacto com alimentos, com declarações de conformidade ao longo da cadeia e ensaios de migração quando aplicável. O Regulamento (CE) n.º 2023/2006 fixa as boas práticas de fabrico para estes materiais. Confirme os que se aplicam aos seus produtos.
- Declarações dos fornecedores: guardadas por lote de resina e ligadas aos produtos que usaram essa resina.
- Ensaios: relatórios de laboratório acreditado ligados às referências.
Reciclagem, regrind e sustentabilidade
As peças rejeitadas, as rebarbas e as purgas podem ser moídas e reintroduzidas como regrind, quando tecnicamente e contratualmente permitido, ou seguir para um reciclador autorizado. O software regista, por ordem de fabrico, a matéria-prima que entrou e a que saiu como peça conforme, purga, rejeição ou rebarba, e o destino de cada parte.
- Conteúdo reciclado: alguns clientes e algumas regras exigem uma percentagem mínima de conteúdo reciclado em certas embalagens, como as garrafas de bebidas em PET (Diretiva (UE) 2019/904). O software deve registar o conteúdo reciclado por referência. O Regulamento (UE) 2025/40, das embalagens, aplica-se de forma gradual: confirme os prazos que lhe dizem respeito.
- Bioplásticos: registos por referência, para responder às metas dos clientes.
- REACH e RoHS: o Regulamento REACH restringe certas substâncias nos plásticos (por exemplo, alguns ftalatos), e a Diretiva RoHS restringe substâncias em equipamentos elétricos e eletrónicos. O software guarda as declarações de conformidade dos fornecedores de resinas e de aditivos e os ensaios, quando necessários.
Indicadores
- Rendimento da matéria-prima: o granulado que virou peça conforme face ao perdido em purgas, rejeições e rebarbas. A fórmula é interna: fixe-a antes de comparar.
- Tempo de ciclo por referência: determina a capacidade e o custo de energia e de mão de obra por peça.
- Taxa de rejeição por referência, com análise de causa das piores.
- Utilização das máquinas e OEE: disponibilidade, desempenho e qualidade. Veja o guia de software de gestão industrial e produção.
- Manutenção: veja o guia de software de manutenção (CMMS).
Que escala de projeto faz sentido
Antes de pedir propostas, convém distinguir duas escalas. A primeira é um sistema de execução de produção (MES) completo, com ligação contínua às máquinas, leitura automática dos parâmetros de processo e OEE calculado a partir dos sinais da linha. É um projeto industrial de grande dimensão, tipicamente entregue por fornecedores especializados em automação. A segunda é a camada de gestão à volta da produção: ordens, moldes, qualidade, stock, rastreabilidade de lotes e faturação, com registos feitos pela equipa ou importados de ficheiros. É nesta segunda escala que trabalhamos.
Prateleira ou à medida
- Prateleira: poucas referências, sem moldes de clientes, e precisa sobretudo de faturação certificada, stock e ordens simples. Aqui recomendamos prateleira.
- Planeamento: depende de moldes, força de fecho e cores, e a folha de cálculo já não mostra a carga das máquinas. Aponta para à medida.
- Rastreabilidade: os clientes alimentares ou médicos exigem-na e cada reclamação obriga a refazer o caminho à mão. Aponta para à medida.
- ERP atual: se funciona, a camada à medida fica à volta dele, por API se der acesso ou por exportação.
Quanto custa
- Automação pontual (alertas de manutenção preventiva de moldes, avisos de stock mínimo de granulado): a partir de €300.
- Dashboard de produção, com rejeição por referência e ocupação das máquinas: a partir de €500.
- Aplicação web com ordens de fabrico, moldes, qualidade, stock e rastreabilidade de lotes: a partir de €800.
- App mobile para o chão de fábrica registar produção, rejeições e verificações no tablet ou no telemóvel: a partir de €2.500.
- Manutenção mensal: a partir de €50.
- Integrações com máquinas, ERP, faturação certificada e sistemas dos clientes, e sistemas completos com vários módulos: orçamento caso a caso. O preço final fixa-se na proposta.
O que perguntar a um fornecedor
- Qual é o âmbito exato? A proposta separa gestão de ligação a máquinas e diz o que fica de fora.
- Como se faz a rastreabilidade de lote? Do granulado e do certificado à ordem e ao lote acabado.
- Quem define as fórmulas dos indicadores? Rendimento, rejeição e OEE têm várias definições: peça-as por escrito e alteráveis.
- Que dados já existem e como entram? Artigos, moldes e clientes importados das folhas ou do ERP atual.
- O que acontece depois da entrega? Suporte, manutenção mensal e de quem é o código e os dados.
Começamos pelo processo mais repetitivo, ligamos ao que já existe por API se der acesso ou por exportação, e orçamos caso a caso. Contacte-nos para uma conversa sem compromisso, com estimativa de custo e prazo. Veja também as soluções para fabricação, as soluções para indústria e os exemplos por setor.