Numa fábrica de plásticos, ordens, moldes, lotes de granulado e declarações dos fornecedores vivem muitas vezes em folhas diferentes, e nota-se numa reclamação ou numa encomenda urgente. Este guia é para quem gere uma fábrica de injeção, extrusão, sopro, termoformagem ou embalagem flexível e está a decidir entre um programa de prateleira e um feito à medida.

Escrevemo-lo como quem constrói este tipo de software e, onde temos exemplo em vídeo, mostramo-lo. Cobre as funções, as regras, a decisão e o custo.

O setor é diverso. A injeção produz componentes em termoplásticos (polipropileno, ABS, nylon, policarbonato) para automóvel, eletrónica, consumo e saúde, muitas vezes com moldes da região da Marinha Grande. A extrusão faz tubos, perfis e filmes; o sopro e a termoformagem, garrafas e embalagens; a embalagem flexível converte e imprime sacos e filmes; a reciclagem tritura e granula plásticos pós-consumo e pós-industriais.

Ordens de fabrico e planeamento das máquinas

Uma ordem de fabrico de injeção inclui a referência do componente, a quantidade, o molde, a matéria-prima (polímero e cor), a máquina, os parâmetros de processo (temperatura, pressão, tempo de ciclo) e o prazo de entrega. O planeamento junta a ordem ao molde e à máquina certos, considerando a força de fecho, e ordena as ordens para reduzir as mudanças de material e de cor, que obrigam a purgar a máquina.

Num exemplo que fizemos para uma metalomecânica fictícia, do setor da fabricação, as ordens estão numa grelha por máquina e por dia. Uma encomenda urgente empurra a ordem afetada para o dia com folga, e a data prometida ao cliente continua a cumprir-se. Numa injetora, a troca de molde pode ter tempo próprio por máquina.

  • Alocação de moldes a máquinas pela força de fecho e pelas dimensões.
  • Sequenciação para reduzir purgas, sem pôr em risco os prazos dos clientes.
  • Ocupação de cada máquina, com o plano numa grelha ou em Gantt.
  • Parâmetros de processo registados por ordem, para as repetições serem consistentes.
Mesmas cinco ordens, duas sequências na injeção
Pela ordem de chegada
OF Branco
purga
OF Preto
purga
OF Branco
purga
OF Azul
purga
OF Preto
4 mudanças de cor · cerca de 160 min de purga e ajuste
Agrupado por cor
OF Branco
OF Branco
purga
OF Azul
purga
OF Preto
OF Preto
2 mudanças de cor · cerca de 80 min de purga e ajuste
Com as mesmas cinco ordens, agrupar por cor corta para metade o tempo de purga. O sistema propõe a sequência, e o planeador decide, tendo em conta os prazos de entrega de cada cliente.
Exemplo hipotético de uma máquina de injeção. A purga (limpeza do material anterior) e o ajuste ao mudar de cor são tempo sem produção, e os 40 minutos por mudança são ilustrativos, porque cada máquina e cada par de cores têm o seu tempo.

Moldes e ferramentas

O molde é um dos ativos mais caros da fábrica, e muitas vezes não é da fábrica, mas do cliente. O software guarda o inventário de moldes (referências, cavidades, localização), o contador de injeções, o histórico de intervenções e o plano de manutenção preventiva, e mostra se o molde está na fábrica ou no fabricante para manutenção. O limite de injeções para a manutenção é definido pela empresa ou pelo fabricante do molde.

Vida útil dos moldes, contada em injeções
82%M-017Tampa 40 mmPlanear manutenção412.000 de 500.000 injeções
32%M-023Caixa técnicaEm boa margem128.000 de 400.000 injeções
95%M-031ConectorManutenção já devida286.000 de 300.000 injeções
O contador de injeções de cada molde vem da ordem de fabrico. O limite de manutenção é definido pela empresa ou pelo fabricante do molde, e o sistema avisa quando o molde se aproxima desse limite.
Exemplo hipotético, com moldes e limites fictícios. Cada molde tem um contador de injeções e um limite de manutenção preventiva, e as cores indicam quando a manutenção se aproxima.

Qualidade e matéria-prima

  • Controlo dimensional e visual no arranque e na produção, cor por colorímetro e peso médio por injeção para detetar falhas de enchimento.
  • Não conformidades registadas e segregadas antes da entrega, com análise de causa para as referências que mais rejeitam.
  • Granulado em armazém: por polímero e cor, com os certificados de análise dos fornecedores e as condições de armazenagem. Materiais higroscópicos, como o nylon e o PET, têm de ser secos antes da injeção, e o sistema pode registar os tempos de secagem por lote.
  • Indicadores de qualidade: a taxa de rejeição por referência. Veja também o guia de software de controlo de qualidade ISO 9001.

Extrusão, sopro e termoformagem

  • Extrusão: velocidade de linha, temperaturas por zona, espessura, controlo dimensional em linha, e ordens por comprimento ou por peso de bobina.
  • Sopro: parâmetros de processo, verificações de espessura e de capacidade das garrafas e perdas por defeito.
  • Termoformagem: espessura do filme à entrada e dimensões das embalagens.
  • Ligação às máquinas: a leitura automática depende de cada injetora, extrusora ou controlador, e avalia-se caso a caso. Num exemplo para uma fábrica fictícia do setor da indústria, os ciclos de uma prensa são lidos do controlador e as paragens sem motivo ficam assinaladas para o operador as explicar no posto. Só quando o equipamento o permite; nas restantes, por exportação ou registo do operador.

Rastreabilidade e embalagem alimentar

Em embalagem alimentar e em componentes médicos, saber que lote de matéria-prima entrou em cada lote de produto é essencial. O software deve ligar o lote de granulado, o certificado do fornecedor, a ordem de fabrico e o lote de produto acabado, com a localização no armazém e os alertas de stock mínimo.

Na mesma metalomecânica fictícia, um cliente reclama de caixas com a soldadura a abrir. Da guia de remessa chega-se à ordem, ao operador e ao lote de chapa, e o lote que entrou noutras ordens é bloqueado e a qualidade é avisada. Com granulado, o caminho pode ser o mesmo.

  • Materiais em contacto com alimentos: o Regulamento (UE) n.º 10/2011 trata dos materiais e objetos de plástico destinados a entrar em contacto com alimentos, com declarações de conformidade ao longo da cadeia e ensaios de migração quando aplicável. O Regulamento (CE) n.º 2023/2006 fixa as boas práticas de fabrico para estes materiais. Confirme os que se aplicam aos seus produtos.
  • Declarações dos fornecedores: guardadas por lote de resina e ligadas aos produtos que usaram essa resina.
  • Ensaios: relatórios de laboratório acreditado ligados às referências.

Reciclagem, regrind e sustentabilidade

As peças rejeitadas, as rebarbas e as purgas podem ser moídas e reintroduzidas como regrind, quando tecnicamente e contratualmente permitido, ou seguir para um reciclador autorizado. O software regista, por ordem de fabrico, a matéria-prima que entrou e a que saiu como peça conforme, purga, rejeição ou rebarba, e o destino de cada parte.

Para onde vão 100 kg de granulado
100 kg de granulado
91%
Peças conformes · 91 kgPurgas e arranques · 3 kgPeças rejeitadas · 4 kgRebarbas e gitos · 2 kg
Do que não saiu como peça conforme (9 kg)
Moído e reutilizado como regrind5 kg
Enviado a reciclador autorizado3 kg
Perdido (sem destino útil)1 kg
O rendimento da matéria-prima depende da fórmula que a empresa escolhe. Aqui, 91 kg de cada 100 kg viram peças conformes. Fixar a fórmula, e o que conta como regrind reutilizado, antes de comparar máquinas ou períodos, evita conclusões erradas.
Exemplo hipotético. O balanço regista, por ordem de fabrico, o granulado que entrou e o que saiu como peça conforme, purga, rejeição ou rebarba, e o destino de cada parte. Os valores são ilustrativos.
  • Conteúdo reciclado: alguns clientes e algumas regras exigem uma percentagem mínima de conteúdo reciclado em certas embalagens, como as garrafas de bebidas em PET (Diretiva (UE) 2019/904). O software deve registar o conteúdo reciclado por referência. O Regulamento (UE) 2025/40, das embalagens, aplica-se de forma gradual: confirme os prazos que lhe dizem respeito.
  • Bioplásticos: registos por referência, para responder às metas dos clientes.
  • REACH e RoHS: o Regulamento REACH restringe certas substâncias nos plásticos (por exemplo, alguns ftalatos), e a Diretiva RoHS restringe substâncias em equipamentos elétricos e eletrónicos. O software guarda as declarações de conformidade dos fornecedores de resinas e de aditivos e os ensaios, quando necessários.

Indicadores

  • Rendimento da matéria-prima: o granulado que virou peça conforme face ao perdido em purgas, rejeições e rebarbas. A fórmula é interna: fixe-a antes de comparar.
  • Tempo de ciclo por referência: determina a capacidade e o custo de energia e de mão de obra por peça.
  • Taxa de rejeição por referência, com análise de causa das piores.
  • Utilização das máquinas e OEE: disponibilidade, desempenho e qualidade. Veja o guia de software de gestão industrial e produção.
  • Manutenção: veja o guia de software de manutenção (CMMS).

Que escala de projeto faz sentido

Antes de pedir propostas, convém distinguir duas escalas. A primeira é um sistema de execução de produção (MES) completo, com ligação contínua às máquinas, leitura automática dos parâmetros de processo e OEE calculado a partir dos sinais da linha. É um projeto industrial de grande dimensão, tipicamente entregue por fornecedores especializados em automação. A segunda é a camada de gestão à volta da produção: ordens, moldes, qualidade, stock, rastreabilidade de lotes e faturação, com registos feitos pela equipa ou importados de ficheiros. É nesta segunda escala que trabalhamos.

Prateleira ou à medida

  • Prateleira: poucas referências, sem moldes de clientes, e precisa sobretudo de faturação certificada, stock e ordens simples. Aqui recomendamos prateleira.
  • Planeamento: depende de moldes, força de fecho e cores, e a folha de cálculo já não mostra a carga das máquinas. Aponta para à medida.
  • Rastreabilidade: os clientes alimentares ou médicos exigem-na e cada reclamação obriga a refazer o caminho à mão. Aponta para à medida.
  • ERP atual: se funciona, a camada à medida fica à volta dele, por API se der acesso ou por exportação.

Quanto custa

  • Automação pontual (alertas de manutenção preventiva de moldes, avisos de stock mínimo de granulado): a partir de €300.
  • Dashboard de produção, com rejeição por referência e ocupação das máquinas: a partir de €500.
  • Aplicação web com ordens de fabrico, moldes, qualidade, stock e rastreabilidade de lotes: a partir de €800.
  • App mobile para o chão de fábrica registar produção, rejeições e verificações no tablet ou no telemóvel: a partir de €2.500.
  • Manutenção mensal: a partir de €50.
  • Integrações com máquinas, ERP, faturação certificada e sistemas dos clientes, e sistemas completos com vários módulos: orçamento caso a caso. O preço final fixa-se na proposta.

O que perguntar a um fornecedor

  • Qual é o âmbito exato? A proposta separa gestão de ligação a máquinas e diz o que fica de fora.
  • Como se faz a rastreabilidade de lote? Do granulado e do certificado à ordem e ao lote acabado.
  • Quem define as fórmulas dos indicadores? Rendimento, rejeição e OEE têm várias definições: peça-as por escrito e alteráveis.
  • Que dados já existem e como entram? Artigos, moldes e clientes importados das folhas ou do ERP atual.
  • O que acontece depois da entrega? Suporte, manutenção mensal e de quem é o código e os dados.

Começamos pelo processo mais repetitivo, ligamos ao que já existe por API se der acesso ou por exportação, e orçamos caso a caso. Contacte-nos para uma conversa sem compromisso, com estimativa de custo e prazo. Veja também as soluções para fabricação, as soluções para indústria e os exemplos por setor.