Um operador de gestão de resíduos vive entre a estrada e a plataforma da APA. Cada recolha tem guia eletrónica, cada carga passa pela báscula, cada código LER conta para a licença e o mapa anual. Quando estes registos estão em folhas de cálculo diferentes, a fatura não bate com a pesagem e a guia fica por concluir.

Escrevemos como quem constrói este tipo de software e, onde temos exemplo em vídeo, mostramos o ecrã. É para quem dirige uma empresa de recolha, triagem, tratamento ou reciclagem de resíduos em Portugal: regras, o que o software deve tratar, quando chega um programa pronto e quanto custa. Para o lado do cliente que produz resíduos e precisa de apoio técnico, veja o guia de software para consultoria ambiental e laboratórios.

O enquadramento: licença, SIRER e mapa anual

  • Regime geral: a gestão de resíduos segue o Regime Geral de Gestão de Resíduos (Decreto-Lei n.º 102-D/2020), que transpõe as diretivas europeias. As metas de reutilização e reciclagem dos resíduos urbanos, 55 % em 2025, 60 % em 2030 e 65 % em 2035, vêm da Diretiva (UE) 2018/851.
  • Licença: quem trata resíduos a título profissional precisa de licença para a instalação, com as operações e os códigos LER autorizados, e por vezes com quantidades. A entidade licenciadora depende da operação: em regra a CCDR, nalguns casos a APA.
  • SIRER: o Sistema Integrado de Registo Eletrónico de Resíduos, no SILiAmb da APA, é onde se registam os estabelecimentos, se emitem as guias e se submete o mapa anual. A taxa do SIRER tem de estar paga antes da submissão.
  • MIRR: o Mapa Integrado de Registo de Resíduos é a declaração anual por estabelecimento, com origem, quantidades, códigos LER, operações, destinos e transportadores. Está previsto no artigo 98.º do regime geral e o prazo tem sido 31 de março do ano seguinte.

e-GAR: a guia que acompanha cada transporte

Desde 2018, o transporte de resíduos é acompanhado por uma guia eletrónica (e-GAR), criada no SIRER ao abrigo da Portaria n.º 145/2017, alterada depois. O produtor emite a guia com o código LER, a quantidade estimada e a operação de destino, R para valorização ou D para eliminação. O transportador leva-a, e o destinatário confirma a receção e pode propor correções, como o peso real da báscula, que o produtor aceita ou recusa. Os resíduos de construção e demolição também circulam com e-GAR.

Uma e-GAR, do produtor ao destinatário
ProdutorFábrica Exemplo, Lda.
TransportadorViatura AA-00-XX
DestinatárioOperador licenciado
Emite a e-GARLER 15 01 02 · 2.400 kg estimados · R3Dia 0, 08:10
TransportaGuia no telemóvel do motoristaDia 0, 09:30
Recebe e pesaPeso real 2.180 kg: propõe correçãoDia 0, 11:05
Aceita a correçãoOu recusa, com motivoPor fazer · prazo a decorrer
ConcluiGuia fechada na plataformaDepois da aceitação
Guias desta semana
e-GAR 0412Correção de peso por aceitarhá 3 dias
e-GAR 0398Por confirmar pelo destinatáriohá 9 dias
e-GAR 0405Concluída—
e-GAR 0409Em transportehoje
A guia é emitida no SIRER, e o software segue-lhe o rasto. Cada e-GAR fica ligada à ordem de recolha e à pesagem, e o sistema avisa quando uma confirmação ou uma correção está parada. Os prazos de confirmação e de conclusão vêm da portaria e da plataforma da APA, e devem ser confirmados na versão em vigor. As empresas, a matrícula e os pesos do exemplo são fictícios.
Exemplo hipotético de uma guia eletrónica de acompanhamento de resíduos, com dados fictícios.

Os prazos para confirmar, corrigir e concluir são curtos, as fontes que consultámos falam em 10 e 30 dias, mas a portaria já foi alterada: confirme-os na versão consolidada e nas perguntas frequentes da APA. O software não substitui o SIRER: prepara e guarda os dados, liga cada guia à recolha, à pesagem e à fatura e mostra as paradas. A emissão e a submissão fazem-se na plataforma da APA, pelo operador.

Num exemplo que fizemos para um operador de resíduos fictício, os dados da guia ficam prontos para emitir a e-GAR, com o peso da báscula ao lado do estimado: numa recolha de sucata ferrosa, LER 12 01 01, a guia leva 2.500 kg estimados e, na receção, a báscula confirma 2.480 kg.

Báscula, códigos LER e quantidades licenciadas

A pesagem é o dado que liga tudo: o peso líquido corrige a guia, entra na fatura (nos contratos por tonelada) e soma ao total do ano por código LER. Com o peso lido da báscula, se der acesso, ou por exportação, acaba a transcrição de talões e controla-se, carga a carga, o que a licença permite.

No mesmo exemplo fictício, a entrada na báscula guarda peso, código LER e cliente de uma vez: o bruto de 18.420 kg é lido da báscula, o operador escolhe o LER 15 01 01 e a tara dá 7.160 kg líquidos, ligados ao cliente e à guia.

Báscula: cada carga contra a licença da instalação
Pesagem 2026-10-14 · 11:05
ViaturaAA-00-XXBruto14.620 kgTara12.440 kgLíquido2.180 kgLER15 01 02e-GAR0412
Recebido no ano face ao licenciado (linha preta = 100 %)
15 01 01Embalagens de papel e cartão
3,12 / 4 t · 78%
15 01 02Embalagens de plástico
1,84 / 2 t · 92%
17 09 04Mistura de resíduos de construção
5,60 / 5 t · 112%
16 01 03Pneus usados
0,21 / 0,6 t · 35%
Carga recusada à entrada: LER 20 01 21* (lâmpadas fluorescentes)Resíduo perigoso para o qual a instalação não está licenciada. O sistema não aceita a pesagem e indica ao motorista o operador alternativo registado no contrato.
Cada pesagem conta para a licença. O peso líquido da báscula alimenta a e-GAR, a fatura e o total do ano por código LER, que o sistema compara com as quantidades da licença da instalação. Um código acima do licenciado deixa de ser aceite até haver decisão. Os códigos, as quantidades e os limites do exemplo são fictícios; os da sua instalação estão no título.
Exemplo hipotético de uma instalação de gestão de resíduos, com códigos LER, pesos e limites fictícios.
  • Receção: matrícula, guia, código LER e pesos, com fotografia da carga se houver dúvidas.
  • Recusas: resíduos sem licença ou fora da classificação declarada não entram, e a recusa fica registada.
  • Perigosos: os resíduos perigosos (marcados com asterisco na lista LER) têm regras próprias de armazenagem e, no transporte, as regras de mercadorias perigosas. Veja o guia de software para transporte ADR e o de software para a indústria química.
  • Calibração: a báscula está sujeita a controlo metrológico; registe as verificações.

Recolhas, contentores e frota

Na recolha, perde-se em viagens a contentores meio vazios e em reclamações de contentores cheios. Com sensores ou com a leitura do motorista, o planeamento pode passar do calendário para o enchimento. No exemplo fictício, os motoristas registam o nível de cada contentor e os que passam dos 80 % entram na rota seguinte, ordenada por proximidade; o limite é da empresa. A app do motorista pode registar chegada, saída, fotografias e a assinatura da guia.

Rota de recolha pelo enchimento dos contentores
Base85%30%92%75%20%70%45%95%80%15%
Contentores na zona10
A recolher hoje (≥ 70 %)6
Ficam para outro dia4
Acima de 90 %2, risco de transbordar
Recolher pelo enchimento, não pelo calendário. Com sensores ou com a leitura do motorista na visita anterior, o sistema propõe que contentores entram na rota de hoje e por que ordem, e o planeador confirma. A regra dos 70 % é um exemplo; a ordem final depende dos horários dos clientes e das restrições de acesso. Os contentores e as percentagens do exemplo são fictícios.
Exemplo hipotético de uma zona com dez contentores, com taxas de enchimento fictícias.

A gestão da frota segue a lógica do guia de gestão de frotas, e para quem faz recolhas em instalações de clientes com limpeza associada, o de limpeza e facilities.

Contratos, preços e faturação

Um cliente industrial pode ter vários códigos LER e moradas, e tarifas diferentes por resíduo: por tonelada, por contentor (aluguer mais recolha) ou por avença. Nalguns materiais valorizáveis, o preço segue o mercado de matérias-primas secundárias e o operador pode pagar ao produtor. O software deve calcular a fatura pelas pesagens e tarifas do contrato, emitir por programa certificado e enviar ao cliente o relatório de quantidades e destinos para o seu próprio MIRR. Veja o guia de faturação eletrónica em Portugal.

Nos fluxos específicos (embalagens, equipamentos elétricos, pneus, óleos, pilhas), há entidades gestoras licenciadas e regras próprias de reporte. O software pode separar estes fluxos e preparar os dados que cada uma pede.

Indicadores que vale a pena seguir

  • Toneladas recebidas e expedidas por código LER e por operação (R ou D).
  • Quantidades face à licença, por código.
  • Guias por concluir e há quantos dias.
  • Custo por tonelada face à receita por tonelada.
  • Taxa de valorização: o que segue para reciclagem ou recuperação face à eliminação.

Quanto custa

  • Automação pontual (aviso de e-GAR por concluir, alerta de código perto do limite licenciado, lembrete do MIRR): a partir de €300.
  • Dashboard com toneladas por LER, guias pendentes, custo e receita por tonelada: a partir de €500.
  • Aplicação web com contratos, ordens de recolha, receção e pesagens: a partir de €800.
  • App mobile para o motorista, com ordens, fotografias e leitura do enchimento: a partir de €2.500.
  • Manutenção mensal: a partir de €50.
  • Integração com báscula, sensores, SIRER (se disponível) e faturação certificada, e sistemas completos: orçamento caso a caso.

O preço final fixa-se na proposta.

Prateleira ou à medida

A nossa recomendação: com uma instalação e poucos clientes e códigos LER, um programa pronto e uma faturação certificada chegam. À medida faz sentido quando se reconhece aqui:

  • Os mesmos dados escritos duas vezes, na APA, na báscula e na fatura.
  • Tarifas diferentes por resíduo e por cliente, que o programa não calcula.
  • Recolhas por enchimento, não por calendário.
  • Quantidades da licença por acompanhar carga a carga.

A qualquer fornecedor, pergunte como liga cada e-GAR à pesagem e à fatura, o que acontece se a báscula falhar, como prepara o MIRR, como exporta os dados e quanto custa ao fim de três anos.

Por onde começar

Começamos pelo processo mais repetitivo, aqui a receção: peso da báscula, guia por pesagem, totais por LER face à licença. A rota por enchimento e o portal para o cliente vêm depois.

Na Soluções à Medida fazemos software para empresas de gestão de resíduos e reciclagem, à volta do seu modo de trabalhar, e orçamos caso a caso. Fale connosco para uma conversa sem compromisso. Veja também as soluções para reciclagem e resíduos, as de ambiente e sustentabilidade e os exemplos por setor.