Uma fábrica de pré-fabricados ou de módulos faz em interior o que a construção tradicional faz em obra, e depois monta no exterior. Isso junta dois problemas: uma produção industrial, com moldes, cura e lotes de material, e uma obra, com transporte e grua. Este guia é para quem gere uma fábrica de elementos pré-fabricados de betão, de módulos ou de estruturas de madeira em Portugal e hesita entre prateleira e à medida. Escrevemo-lo como quem constrói este software e, onde temos, mostramos um exemplo em vídeo: o que o sistema deve fazer, regras, critérios de escolha e custo.
Do orçamento ao plano de produção
- Configurador e orçamento: muitos produtos partem de uma base padrão parametrizada por projeto (dimensões, acabamentos, instalações). Um configurador calcula custo, preço e prazo com as tabelas de produção da fábrica, e o orçamento guarda pressupostos e revisões, porque a negociação tem vários ciclos.
- Contrato e marcos: módulos e especificações aprovadas, calendário de entrega e pagamento por adiantamento e marcos de produção e entrega, que, cumpridos, geram o aviso de faturação.
- Alterações de projeto: uma alteração do cliente depois de a peça estar em fabrico tem custo e prazo, e o sistema deve mostrar em que estado está cada peça afetada. No exemplo que fizemos para um atelier de arquitetura, fictício, a revisão C da planta substitui a B e cada entrega fica registada com a revisão enviada. Numa fábrica, o registo pode ligar cada peça ao seu desenho, vindo do CAD ou BIM por exportação.
No exemplo que fizemos para uma fábrica da indústria, fictícia, o custo apurado face ao orçado de uma encomenda de 400 suportes baixa a margem de 24 % para 14 %, e os tempos de referência atualizam-se. Num pré-fabricado, pode fazer-se por projeto.
Produção: moldes, cura e sequência
O recurso que limita a fábrica costuma ser o molde, e não a mão de obra. Um molde só volta a estar disponível depois de armação, betonagem, cura e desmoldagem, e a mesma encomenda pode precisar de vários. O planeamento tem de responder a uma pergunta concreta: quando fica livre cada molde e que peça entra a seguir.
- Estado de cada peça (em armação, em cura, desmoldada, aprovada, expedida), registado no pavilhão por telemóvel ou tablet, para o planeador ver atrasos cedo.
- Consumo de materiais: betão, aço, cordões de pré-esforço e cofragens, com baixa de stock pelo consumo real.
- Capacidade: horas por secção e ocupação de moldes, gruas e parque, para decidir se cabe uma urgência.
Qualidade, marcação CE e rastreabilidade
Os elementos pré-fabricados de betão são produtos de construção e, em regra, têm de ter marcação CE e declaração de desempenho, ao abrigo do Regulamento (UE) n.º 305/2011 e da norma harmonizada do produto. O que a fábrica tem de demonstrar (ensaios iniciais de tipo, controlo da produção em fábrica, eventual organismo notificado) depende do produto e do sistema de avaliação aplicável. Este regulamento está a ser substituído pelo Regulamento (UE) 2024/3110, com aplicação faseada: confirme com o organismo que o certifica o que vale para a sua fábrica hoje e nos próximos anos.
Para o software, a consequência prática é a rastreabilidade da peça: cada uma liga-se ao lote de betão e ao ensaio que o suporta, à corrida do aço e ao respetivo certificado, às datas de betonagem e desmoldagem e à inspeção.
- Marcação física única em cada peça, igual à da planta de montagem, é o elo entre a peça e o seu registo.
- Não conformidades: fissuras, segregação ou geometria fora de tolerância ficam registadas com a decisão (reparar, refazer ou aceitar com aprovação do projetista) e a validação.
- Documentos por entrega: declaração de desempenho e registos que o cliente ou a fiscalização peçam, ligados à guia de remessa.
Peças enviadas para zincagem ou outro tratamento podem manter o rasto. Na mesma fábrica fictícia, regressam da lacagem 392 dos 400 suportes, 12 com defeito, e abre-se uma não conformidade.
Transporte e montagem em obra
- Transportes excecionais: quando a carga ultrapassa os limites regulamentares, o transporte precisa de autorização especial de trânsito do IMT (ocasional, de curta duração ou anual) e, conforme o caso, de condições adicionais, como escolta ou horários, fixadas na própria autorização. O sistema deve guardar a autorização de cada entrega, com validade e percurso, e avisar quando falta.
- Plano de montagem e içamento: a ordem das peças respeita a estabilidade da estrutura e a capacidade da grua, que diminui com a distância ao eixo; o plano compara o peso de cada peça com essa capacidade.
Para a obra, com autos e subempreiteiros, veja o guia de software de gestão de obras e o de empresas de construção civil.
Garantias e reclamações
O fabricante responde pelos defeitos dos elementos que fornece, em prazos que dependem do contrato e da lei aplicável; valide-os com o seu jurista. O sistema deve registar cada reclamação (defeito, peça, data), a vistoria, a origem apurada (fabrico, transporte, montagem ou projeto) e a reparação, até ao fecho. É a rastreabilidade que permite responder com factos.
Indicadores que vale a pena seguir
- Peças aprovadas à primeira: a percentagem que passa na inspeção sem reparação. Defina a meta com a sua equipa de qualidade.
- Ocupação dos moldes por semana.
- Desvio de entrega: data real de entrega em obra contra a contratual, por projeto, e a causa (produção, transporte, obra, alteração do cliente).
Prateleira ou à medida
A recomendação é nossa:
- Prateleira, se produz catálogo com poucas variantes e um ERP já cobre ordens, stock e faturação.
- À medida, se o planeamento depende de moldes e cura que o programa não modela.
- À medida, se a rastreabilidade de lote, ensaio e certificado vive em folhas de cálculo.
- À medida, se cada projeto traz desenhos e revisões próprios.
- Intermédio: manter o ERP e juntar o módulo que falta, por API se der acesso ou por exportação.
Quanto custa
- Automação pontual (alertas de autorizações de transporte a expirar, relatório semanal de peças em atraso): a partir de €300.
- Dashboard com ocupação de moldes, estado das peças e desvios de entrega: a partir de €500.
- Aplicação web para rastreabilidade de peças, não conformidades e expedição: a partir de €800.
- App mobile para registar o estado das peças no pavilhão e na obra: a partir de €2.500.
- Manutenção mensal: a partir de €50.
- Planeamento de produção completo, ligação a máquinas ou ao ERP e integrações: orçamento personalizado, caso a caso.
O preço final fixa-se na proposta. O retorno depende de onde a fábrica perde hoje: moldes parados, peças refeitas, entregas atrasadas ou documentação de marcação CE reunida à pressa. Meça um desses durante um mês antes de pedir propostas.
O que perguntar a um fornecedor
- Como regista o ciclo de cada peça no molde, e como o planeador vê quando o molde fica livre?
- Como liga lotes de betão, ensaios e certificados de aço a cada peça?
- Que documentos de marcação CE e de entrega gera, e quem os valida?
- Como guarda as autorizações de transporte e avisa da validade?
- Como exporto os dados se mudar de sistema?
- Quanto custa ao fim de três anos, com manutenção?
Por onde começar
Costumamos começar pelo processo mais repetitivo. Aqui, é o registo de peças e lotes, que sustenta a qualidade, a marcação CE e as reclamações; o plano de moldes vem depois, ligado ao que a fábrica já usa, sem substituir tudo.
Na Soluções à Medida fazemos software para fábricas de pré-fabricados e de construção modular, a partir do seu processo. Contacte-nos para uma conversa sem compromisso, com estimativa de custo e prazo. Veja também as soluções para indústria, as soluções para arquitetura e engenharia, o guia de orçamentação e propostas e os exemplos por setor.