Um atelier de arquitetura ou de design de interiores faz trabalho criativo com uma parte técnica e contratual exigente: fases, aprovações do cliente, especialidades de outros técnicos, licenciamento na câmara, revisões sucessivas e uma obra à espera das peças desenhadas certas. Este guia é para quem gere um atelier de arquitetura ou um gabinete de design de interiores. Escrevemo-lo como quem constrói este tipo de software e, onde temos, mostramos exemplos em vídeo com empresas fictícias. Cobre as funções, a escolha entre prateleira e à medida, e o custo.

Projetos e fases de trabalho

Um projeto de arquitetura percorre fases, como o programa preliminar, o estudo prévio, o anteprojeto, o projeto de execução e a assistência técnica à obra. Em obras públicas, o conteúdo de cada fase segue a Portaria n.º 701-H/2008, e em obras particulares os elementos dependem do procedimento e do regulamento de cada município. O software pode organizar o projeto por fases, com os entregáveis, o estado de cada um, a aprovação do cliente e a faturação de cada fase concluída.

As fases de um projeto de arquitetura e o que já foi faturado
1. Programa preliminarAprovado3 de 3 entregáveisFaturada
2. Estudo prévioAprovado5 de 5 entregáveisFaturada
3. AnteprojetoAprovado pelo cliente8 de 8 entregáveisFaturada
4. Projeto de execuçãoEm curso9 de 14 entregáveisPor faturar
5. Assistência à obraPor iniciar—Por faturar
A faturação segue as fases. Cada fase tem entregáveis, uma aprovação formal do cliente e um momento de faturação, o que protege o âmbito e ajuda a cobrar a horas. As fases e os entregáveis dependem do tipo de projeto e dos regulamentos aplicáveis.
Exemplo hipotético, com um projeto fictício. Cada fase tem entregáveis, uma aprovação do cliente e o estado da faturação.
  • Especialidades: estruturas, climatização, eletricidade, telecomunicações, acústica e paisagismo, feitas por outros técnicos. O sistema pode guardar contratos, prazos e versões de cada projeto, e o que foi faturado e pago a cada consultor.
  • Qualificação dos técnicos: os projetos têm de ser subscritos por técnicos legalmente habilitados (Lei n.º 31/2009), e o software pode guardar as declarações e os seguros de cada um.
  • Licenciamento: o estado de cada processo, os pedidos de elementos adicionais com os prazos de resposta e as datas das licenças ou de outras decisões. No exemplo que fizemos para um gabinete fictício, um pedido de elementos da câmara cria logo as tarefas de arquitetura, estruturas e segurança contra incêndio. O sistema acompanha o processo; a submissão faz-se na plataforma da câmara. O regime jurídico da urbanização e da edificação (RJUE) foi alterado em 2024 pelo Simplex Urbanístico (Decreto-Lei n.º 10/2024): confirme em cada caso o procedimento e a plataforma de submissão.

Honorários, horas e rentabilidade

Os honorários podem ser fixados por fase, como percentagem do custo da obra, por horas ou por um valor global. As tabelas de honorários de referência que circulam no setor não são vinculativas, e cada atelier acorda livremente com o cliente. Em qualquer modelo, a pergunta é se o projeto deu dinheiro: revisões, reformulações e esperas comem horas que o orçamento não previu.

Arquivo de peças e controlo de versões

Um projeto gera dezenas ou centenas de peças desenhadas, de plantas a mapas de acabamentos, em várias revisões. O que mais custa numa obra é executar uma peça já alterada. O sistema pode dizer qual é a revisão em vigor, o que mudou, quem a aprovou e a quem foi enviada.

Que revisão de cada peça desenhada está em uso em obra
PeçaEm vigor no atelierEnviada ao empreiteiroEm uso em obra
A-101Planta do piso 0Rev. CRev. CRev. C
A-102Planta do piso 1Rev. BRev. BRev. B
A-201Alçado nascenteRev. DRev. DRev. C · atrasada
A-301Corte construtivoRev. BRev. BRev. B
E-014Estrutura: fundaçõesRev. CRev. CRev. B · atrasada
Duas peças estão a ser executadas com uma revisão antiga. O alçado nascente (A-201) e a estrutura das fundações (E-014) não coincidem com a revisão em vigor. O controlo de versões mostra-o antes de a obra gastar material e tempo a fazer o que já foi alterado.
Exemplo hipotético, com peças e revisões fictícias. O sistema compara a revisão em vigor com a que foi enviada ao empreiteiro e com a que está realmente a ser usada em obra, e assinala as diferenças.
  • Ligação ao desenho e ao BIM: o sistema não substitui as ferramentas de projeto. Recebe as peças que elas geram, por exemplo em DWG, PDF ou IFC, por exportação, ou liga-se por API se o programa der acesso.
  • Caderno de encargos: especificações de materiais e trabalhos por capítulos e especialidades, com as condições de medição e pagamento, base do contrato de empreitada.
  • Aprovações do cliente: comentários, revisão e aprovação de cada fase registados com data e versão, o que protege o âmbito e sustenta a faturação. No gabinete fictício, a cliente comenta a cozinha na planta do estudo prévio e aprova-o no portal, com data.

Design de interiores

  • Cadernos de especificação por divisão: mobiliário, revestimentos, iluminação, têxteis e acessórios, com a biblioteca de produtos e fornecedores e moodboards para partilhar com o cliente.
  • Encomendas e prazos: quando o designer adjudica o mobiliário, cada encomenda acompanha-se até à montagem, porque uma peça à medida que atrasa pode atrasar o projeto inteiro.
  • Orçamentos: honorários mais mobiliário e decoração, muitas vezes com cotações de vários fornecedores por item e a margem do designer, apresentados ao cliente num só documento.
Caderno de especificações de uma sala: desenho, fornecedor e prazo
Janela12345
1Sofá de 3 lugaresFornecedor AEm produção10 semanas
2Tapete de lãFornecedor BEntregue—
3Mesa de jantarMarcenaria localEncomendado6 semanas
4Candeeiro de péFornecedor CPor encomendarAguarda aprovação
5AparadorMarcenaria localEm produção4 semanas
Um móvel feito à medida que atrasa pode atrasar a entrega do projeto inteiro. O caderno de especificações por divisão junta o desenho, o fornecedor, o prazo e o estado de cada peça, e avisa antes de uma entrega pôr a montagem em risco.
Exemplo hipotético de uma sala, com fornecedores e prazos fictícios. Cada peça numerada na planta liga à sua ficha de especificação, com o estado da encomenda e o prazo de entrega.

Indicadores úteis

  • Utilização da equipa: horas imputadas a projetos face às horas disponíveis. O objetivo é uma decisão de cada atelier, não uma regra geral.
  • Margem por projeto e por tipo de projeto: honorários menos horas, subconsultores e despesas, para saber que projetos rendem e quais consomem mais revisões.
  • Prazo de licenciamento por município: o tempo entre a entrega e a decisão, para gerir expectativas e planear a equipa.
  • Fases concluídas e faturadas: o que está feito e ainda não foi faturado.

Prateleira ou à medida

Na nossa opinião, um atelier pequeno, com projetos parecidos e poucos processos na câmara, fica bem servido com um programa de prateleira. O caso muda se o atelier se reconhece nestes pontos:

  • A margem de cada fase só se vê juntando à mão horas, subconsultores e despesas.
  • Muitas peças e revisões circulam entre o atelier, as especialidades e o empreiteiro.
  • Correm vários licenciamentos em paralelo, com pedidos de elementos a vigiar.
  • Os clientes pedem revisões além das incluídas e as aprovações ficam espalhadas pelo email.
  • No design de interiores, cada projeto junta vários fornecedores e peças por medida.

Se se reconhece em vários, começamos pelo processo mais repetitivo e orçamos caso a caso.

Quanto custa

  • Automação pontual, como avisos de prazos de resposta a câmaras ou lembretes de faturação por fase: a partir de €300.
  • Dashboard com margem por projeto, utilização da equipa e fases por faturar: a partir de €500.
  • Aplicação web com projetos, fases, horas, peças desenhadas e faturação: a partir de €800.
  • App mobile para registar horas, visitas à obra e fotografias no terreno: a partir de €2.500.
  • Manutenção mensal: a partir de €50.
  • Integrações com ferramentas de desenho e BIM e com a faturação certificada, se derem acesso, e sistemas completos para ateliers com várias equipas: orçamento caso a caso.

O preço final fixa-se na proposta. Ao avaliar um fornecedor, pergunte: compara a revisão em vigor, enviada e em uso em obra? Mostra o custo real das horas contra os honorários? Guarda as aprovações com data e versão? E como se exportam os dados se mudar de sistema? Para a gestão da empreitada, com autos de medição e subempreiteiros, veja o guia de software de gestão de obras.

Na Soluções à Medida desenhamos o software à volta do processo de cada atelier ou gabinete de design de interiores. Contacte-nos para uma conversa sem compromisso, com estimativa de custo e prazo, e veja também as soluções para arquitetura e engenharia, as soluções para construção e os exemplos por setor.