Uma empresa de manutenção de piscinas vive de visitas repetidas: dezenas ou centenas de piscinas, cada uma com o seu volume, o seu equipamento e a sua água, e um técnico que passa por várias no mesmo dia. O que distingue uma boa empresa é saber o que se mediu e o que se aplicou em cada visita, não esquecer nenhuma piscina e faturar tudo o que foi feito. Este guia é para quem gere uma empresa de manutenção, construção ou renovação de piscinas em Portugal e está a decidir entre um programa pronto e um software feito à medida. Escrevemo-lo como quem constrói este tipo de software e, onde temos um exemplo em vídeo, mostramo-lo. Cobre a operação, as regras, a escolha e o preço. Para empresas com equipas de exterior parecidas, veja também os guias de jardinagem e paisagismo e de limpeza e facilities.

Ficha de cada piscina

Tudo parte da ficha da piscina, porque é ela que determina as doses, as peças e a frequência das visitas:

  • Cliente e tipo de uso: moradia, condomínio, alojamento local, hotel, clube. O tipo de uso muda as obrigações e a frequência.
  • Volume em m³, revestimento, interior ou exterior, aquecida ou não.
  • Equipamento: bomba, filtro, clorador salino ou doseador, UV, aquecimento, cobertura, com marcas, modelos e datas de instalação. Num exemplo nosso para uma empresa de serviços industriais, fictícia, a preventiva fica devida e a ordem de trabalho abre com as tarefas e as peças previstas. Bombas e filtros podem ter o mesmo plano.
  • Acessos e notas: chave, código do portão, cão, horário em que se pode entrar.
  • Histórico de visitas, análises, avarias e obras.

Análises e tratamentos por visita

Em cada visita o técnico mede (pH, cloro livre e, conforme o caso, cloro combinado, alcalinidade, dureza, temperatura), decide o tratamento e regista as doses. Num papel no carro, perde-se a tendência e a prova do que foi feito. Numa aplicação no telemóvel, cada medição fica associada à piscina e à data, com as faixas-alvo definidas para aquela piscina e um pedido de ação quando algo sai fora:

Análises por visita: pH e cloro livre de uma piscina de hotel
faixa do exemplo 7,0–7,47,07,48,0pH7,8faixa do exemplo 0,5–1,20,51,2Cloro livremg/L0,3V1V2V3V4V5V6V7V8
Visita 5 · fora da faixapH 7,8 · cloro livre 0,3 mg/L
Corretor de pH: 1,2 kgCloro: dose de choqueNova medição na visita: pH 7,3 · cloro 0,9Cliente avisado às 11:40
Cada visita deixa números, e o gráfico mostra a tendência. O técnico regista as medições e as doses no telemóvel; o sistema compara com a faixa definida para aquela piscina e pede a ação e a nova medição quando algo sai fora. As faixas do exemplo seguem valores indicativos usados na vigilância sanitária de piscinas públicas; a piscina, as medições e as doses são fictícias.
Exemplo hipotético de oito visitas semanais, com medições e doses fictícias.

As faixas devem ser definidas pela empresa para cada tipo de piscina. Para piscinas de uso público, os valores de referência usados na vigilância sanitária vêm de documentos da DGS e das autoridades de saúde (ver a secção seguinte); para piscinas privadas, seguem-se em regra as recomendações dos fabricantes de equipamento e de produtos.

Piscinas de uso público e coletivo: o que se aplica

Aqui circula muita informação errada. Em Portugal, para a maioria das piscinas de uso público, não há um diploma legal geral que fixe os parâmetros de qualidade da água. A referência técnica é a Diretiva CNQ 23/93, do Conselho Nacional da Qualidade, que é uma norma técnica e não uma lei. A vigilância sanitária é feita pelas autoridades de saúde, com base na Circular Normativa n.º 14/DA de 2009 da DGS e nos programas de vigilância sanitária de piscinas, que indicam valores de referência para cloro livre, pH, cloro combinado e outros parâmetros e a periodicidade das colheitas. Há ainda a norma portuguesa NP 4542 sobre a qualidade da água de piscinas.

  • Regimes próprios: as piscinas em recintos com diversões aquáticas têm legislação específica (Decreto Regulamentar n.º 5/97), e as piscinas dos empreendimentos turísticos remetem para ele, com medições de cloro livre, pH e turvação ao longo do dia.
  • Registo: o registo das medições, dos tratamentos e das ocorrências (o «livro» da piscina) é o que se mostra numa inspeção, e convém que seja digital, datado e com o nome de quem mediu.
  • Análises laboratoriais: as colheitas da vigilância sanitária são feitas pelas autoridades de saúde; a entidade gestora pode também pedir análises próprias a um laboratório.
  • Segurança dos utentes: as piscinas de uso público têm ainda regras de vigilância e salvamento aquático, que não são do âmbito da empresa de manutenção mas que o gestor deve confirmar.

Confirme sempre os valores e as periodicidades na versão em vigor dos documentos da DGS e junto da unidade de saúde pública da área. Este resumo vem de fontes públicas e não substitui essa confirmação.

Rotas, visitas e carga da carrinha

A semana de cada técnico sai dos contratos (moradias semanais na época alta, condomínios e hotéis com mais frequência) e das reparações pedidas. O sistema deve gerar as visitas, agrupar por zona, permitir trocar visitas entre técnicos e somar os produtos que vão ser precisos:

Semana de um técnico e carga da carrinha
Seg
Moradia Silva
Cond. Jardins
Hotel Mar
Moradia Costa
Ter
Hotel Mar
Moradia Lopes
Moradia Reis
Qua
Cond. Jardins
Moradia Pinto
Hotel Mar
Moradia Sá
Moradia Nunes
Qui
Hotel Mar
Reparação: bomba
Moradia Dias
Sex
Cond. Jardins
Hotel Mar
Moradia Melo
Moradia Vaz
Carga da carrinha · segunda
Cloro granulado6 kg
Pastilhas de cloro4 kg
Corretor de pH5 kg
Floculante2 L
Kit de análisereagentes para 20
Calculada a partir do volume de cada piscina e do consumo das últimas visitas
MoradiaCondomínioHotelReparação
A semana do técnico sai dos contratos, e a carga da carrinha sai da semana. As visitas fixas (semanais nas moradias na época alta, mais frequentes no hotel) e as reparações pedidas formam o plano; o sistema soma os produtos previstos por piscina para o técnico não sair sem o que precisa. Os clientes, as frequências e as quantidades do exemplo são fictícios.
Exemplo hipotético de uma semana em época alta, com clientes e quantidades fictícios.
  • Visitas recorrentes geradas a partir do contrato, com a frequência de cada fase do ano.
  • Ordem de serviço no telemóvel: medições, doses, fotografias, peças usadas e assinatura ou confirmação do cliente. No exemplo que fizemos para uma empresa de limpeza, fictícia, a auxiliar marca cada ponto da lista e fotografa as zonas definidas. A visita à piscina pode seguir essa lógica.
  • Avarias: diagnóstico, orçamento, aprovação do cliente e reparação, com as peças e as horas.

Produtos químicos e segurança

O cloro, os corretores de pH, os algicidas e os floculantes são produtos perigosos, e muitos são produtos biocidas, que só podem ser comercializados se estiverem autorizados ao abrigo do Regulamento (UE) n.º 528/2012. O software deve:

  • Ligar cada produto à ficha de dados de segurança e à rotulagem (Regulamento CLP), acessíveis ao técnico no telemóvel.
  • Controlar o stock no armazém e na carrinha, com lotes e validades quando o fabricante as indica. Num exemplo para uma empresa de eletricidade, fictícia, a ordem de trabalho desconta o material da carrinha e o que fica abaixo do mínimo entra na reposição. Com químicos pode ser igual.
  • Registar as quantidades aplicadas por piscina, para faturar o que exceder o contrato e para saber o consumo real.

As regras de armazenamento e de transporte de produtos perigosos em pequenas quantidades devem ser confirmadas com o fornecedor e com um técnico de segurança.

Época, contratos e faturação

Uma piscina exterior tem um ano com fases: abertura, época alta, invernagem e inverno. O contrato deve dizer quantas visitas há em cada fase, o que está incluído e o que é faturado à parte:

O ano de uma piscina: fases, visitas e contrato
jan1 vis.fev1 vis.mar1 vis.abr2 vis.mai3 vis.jun4 vis.jul4 vis.ago5 vis.set4 vis.out2 vis.nov1 vis.dez1 vis.Contrato anual29 visitas12 mensalidades
AberturaLimpeza, arranque do equipamento, acerto da água; orçamento de peças, se preciso.
Época altaVisitas mais frequentes; consumo de químicos acima do incluído faturado à parte.
InvernagemBaixar o nível, proteger o equipamento, cobertura; registo fotográfico.
InvernoVisita mensal de controlo; altura para propor obras e renovações.
Mensalidade igual todo o anoAs 29 visitas previstas são distribuídas em 12 mensalidades; o que fica fora do contrato (reparações, químicos extra) segue em fatura própria.
O ano da piscina tem fases, e o contrato deve refleti-las. O sistema gera as visitas de cada fase, avisa da abertura e da invernagem com antecedência e fatura a mensalidade e os extras sem esquecer nada. As datas, as visitas e o modelo de contrato do exemplo são fictícios e variam com a região e o cliente.
Exemplo hipotético do ciclo anual de uma piscina de moradia, com visitas fictícias.
  • Mensalidade fixa ou por visita, conforme o contrato.
  • Extras: químicos acima do incluído, reparações, peças, abertura e invernagem quando não estão incluídas.
  • Faturação por programa certificado e envio automático ao cliente. Veja o guia de faturação eletrónica em Portugal.

Obras de construção e renovação

Se a empresa também constrói ou renova piscinas, o software deve tratar cada obra por fases (projeto, licenciamento quando aplicável, escavação, estrutura, impermeabilização, revestimento, equipamento, arranque), com orçamento, pagamentos por fase e registo fotográfico. Para obras maiores, veja o guia de software de gestão de obras. Depois da obra, a piscina passa naturalmente para a carteira de manutenção.

Indicadores que vale a pena seguir

  • Piscinas por técnico e tempo de deslocação face ao tempo na piscina.
  • Medições fora da faixa por piscina e por técnico, e o tempo até à correção.
  • Consumo de químicos por m³ e por piscina, face ao previsto no contrato.
  • Renovação de contratos de ano para ano.
  • Peso das obras e reparações na faturação.

Prateleira ou à medida

Há programas prontos que servem bem muitas empresas. Com poucas piscinas, todas privadas e contratos parecidos, recomendamos começar por um. O à medida compensa nestes casos:

  • Faixas-alvo por piscina e registo para inspeção em piscinas de uso público.
  • Contratos por fases do ano, com extras diferentes de cliente para cliente.
  • Químicos por carrinha, com fichas de segurança e consumo por piscina.
  • Manutenção e obras na mesma empresa.
  • Ferramentas que já usa: ligamo-las por API se derem acesso, ou por exportação.

Seja qual for a escolha, pergunte se a aplicação funciona sem rede, como exporta os dados se mudar de fornecedor e quais são os custos ao fim de três anos.

Quanto custa

  • Automação pontual (aviso de medição fora da faixa, lembrete de abertura ou invernagem, envio automático de relatório da visita ao cliente): a partir de €300.
  • Dashboard com visitas, medições fora da faixa, consumo de químicos e faturação: a partir de €500.
  • Aplicação web com fichas de piscinas, contratos, planeamento de visitas e stock: a partir de €800.
  • App mobile para o técnico registar medições, doses, fotografias e peças, também sem rede: a partir de €2.500.
  • Manutenção mensal: a partir de €50.
  • Sistema completo com integrações (faturação certificada, leitura de doseadores e sensores quando o equipamento o permite, portal do cliente): orçamentado caso a caso. O preço final fixa-se na proposta.

Por onde começar

Começamos pelo processo mais repetitivo: aqui, a ficha de cada piscina e o registo das medições e doses no telemóvel. Com isso já tem prova do que faz e um histórico útil. As rotas, o stock e a faturação dos extras vêm a seguir.

Na Soluções à Medida fazemos software para empresas de manutenção e construção de piscinas e orçamos caso a caso. Contacte-nos para uma conversa sem compromisso. Veja também as soluções para construção, as soluções para desporto e fitness e os exemplos por setor.