Uma empresa de topografia vende a confiança na medição: o levantamento para projetar, a implantação na obra, a planta para o registo. Isso gera muitos ficheiros, equipamentos caros, equipas no campo e prazos de entrega. Este guia é para quem gere uma empresa de topografia ou geodesia em Portugal. Escrevemo-lo como quem constrói software de gestão e, onde a lógica é a mesma, mostramos exemplos em vídeo que fizemos para um gabinete de arquitetura e engenharia, fictício. Cobre as regras, a decisão entre prateleira e à medida, e o custo.

O que a empresa faz e o enquadramento em resumo

  • Levantamentos topográficos com estação total, GNSS e drones com câmara ou LiDAR.
  • Implantação de projetos no terreno: alinhamentos, cotas e limites.
  • Trabalhos cadastrais: demarcação de prédios e representações gráficas georreferenciadas.
  • Acompanhamento de obra: controlo geométrico de estradas, pontes, edifícios e túneis.
  • Geodesia: redes de apoio, cálculo de coordenadas e transformação entre sistemas, como o ETRS89/PT-TM06.

Em Portugal, o regime jurídico da cartografia (Decreto-Lei n.º 193/95, revisto pelo Decreto-Lei n.º 130/2019) enquadra a produção e a utilização de cartografia. Os trabalhos que a lei exige que sejam subscritos por um técnico legalmente habilitado seguem o regime de qualificação previsto na Lei n.º 31/2009. Os técnicos estão ligados à Ordem dos Engenheiros Técnicos, especialidade de geoespacial e topografia, à Ordem dos Engenheiros ou a associações do setor, consoante a formação. O BUPi (Balcão Único do Prédio) é a plataforma de georreferenciação dos prédios, e as representações gráficas georreferenciadas devem ser produzidas por técnicos habilitados. Confirme com a sua ordem ou associação e com a DGT o que cabe a cada técnico e como se apresentam os trabalhos, porque estas regras têm sido atualizadas.

Projetos e ordens de serviço

Cada trabalho é um projeto com tipo de levantamento, área, precisão exigida, formato de entrega, como DWG, DXF, GeoPackage, Shapefile ou LAS/LAZ para nuvens de pontos, prazo e valor orçamentado. O software pode guardar o cliente, a localização com coordenadas, a referência do prédio, a equipa, os equipamentos e o prazo.

  • Calendário de campo em mapa, com as saídas de cada equipa e uma ordem que junte os locais próximos.
  • Caderneta digital: pontos, observações, croquis, fotografias dos pontos de controlo e dos limites, e quem esteve presente na demarcação.
  • Ficheiros de origem: exportações da estação total e observações GNSS guardadas no projeto. A importação depende do formato de cada equipamento e avalia-se caso a caso. Os programas de desenho, SIG e processamento continuam: o sistema não os substitui e liga-se a eles por API, se derem acesso, ou por exportação.
Levantamento de um terreno: marcos, cotas e coordenadas
cota 84cota 82EdifícioM1M2M3M4M5M6M7N
MarcoM (m)P (m)Cota
M1-45 210,12-87 340,5581,42
M2-45 060,90-87 355,2083,10
M3-44 950,33-87 300,7182,65
M4-44 940,18-87 210,4480,90
Coordenadas fictícias, no sistema ETRS89/PT-TM06.
Exemplo hipotético, com um terreno e coordenadas fictícias. Cada marco medido fica registado com as coordenadas e a cota, e o levantamento é arquivado no projeto com a data, o equipamento e a equipa.

Drones, LiDAR e fotogrametria

Os drones com câmara ou LiDAR cobrem grandes áreas depressa, e o LiDAR mede o terreno por baixo da vegetação. A operação de drones em Portugal segue o Regulamento de Execução (UE) 2019/947, e a ANAC gere o registo dos operadores de UAS e as zonas geográficas. O registo é do operador, não de cada drone, e as regras dependem da categoria da operação: aberta, específica ou certificada. No mapeamento comercial, a categoria depende do drone, do local e do risco.

  • Operador e pilotos: registo do operador, qualificações e validades de cada piloto, com alertas.
  • Planeamento de missões: área, faixas, altura e sobreposição, com as zonas geográficas verificadas nas fontes oficiais antes do voo.
  • Registo de voos: data, local, piloto, equipamento e projeto.
  • Dados adquiridos: imagens, nuvens de pontos e produtos processados, como ortofotomapas e modelos digitais de terreno e de superfície. O processamento faz-se em programas especializados, e o software de gestão arquiva os resultados no projeto.
Plano de voo de um drone sobre a área a levantar
Zona restrita(exemplo)Descolagem
7 faixascom sobreposição para o processamento fotogramétrico
Zona restritaconsultada antes do voo, e a área planeada fica fora dela
Registoo voo fica associado ao projeto, ao piloto e ao equipamento
Exemplo hipotético. O plano cobre a área em faixas paralelas com sobreposição, e fica fora de uma zona onde o voo é restrito. As zonas geográficas e os requisitos de cada operação consultam-se nas fontes oficiais antes do voo.

Cadastro, SIG e entidades públicas

Os trabalhos cadastrais incluem a demarcação de prédios, as plantas de localização para o notário e o registo predial e a verificação de áreas. O software pode gerir os prazos, os proprietários envolvidos, os documentos de suporte, como a escritura, a certidão do registo predial e as licenças, e a exportação dos ficheiros nos formatos exigidos para a entrega, por exemplo no BUPi, que depende das especificações em vigor e se avalia caso a caso.

Muitas empresas fazem também SIG: cartografia digital para autarquias, ortofotomapas e inventário georreferenciado de redes. Estes projetos são longos, com fases e entregáveis: cartografia aprovada, base de dados em GeoPackage ou geodatabase, formação dos utilizadores. No exemplo do gabinete, cada peça tem a revisão em vigor e cada entrega fica registada com quem recebeu que revisão: a revisão C da planta do piso 0 substitui a B, que fica no histórico. Numa cartografia por fases, a lógica é igual.

Do campo à entrega: os ficheiros de um trabalho topográfico
Estação totalpontos medidos
Recetor GNSSpontos e observações
Droneimagens ou nuvem LAS
→
Escritórioprocessamento e controlo de qualidade
→
Planta em DWGpara o projeto
Nuvem de pontos e MDTpara engenharia
Ficheiro para cadastrorepresentação georreferenciada
Relatório em PDFcom precisão e método
Tudo fica no mesmo projeto. O software arquiva os ficheiros de origem e os produtos finais, com as versões e os prazos, para que uma entrega possa ser refeita ou conferida anos depois.
Exemplo hipotético. As fontes de dados (estação, GNSS e drone) alimentam o processamento e daí saem os produtos que o cliente pede, sempre ligados ao projeto que os originou.

Equipamentos e rastreabilidade das medições

Estações totais, recetores GNSS, scanners a laser e drones são ativos valiosos. O software pode registar cada equipamento, com número de série, compra, garantia, calibrações e verificações, atribuí-lo a cada projeto e saída, e avisar quando uma calibração está a vencer. Saber que equipamento mediu o quê, e quando foi calibrado, faz parte da confiança nos resultados. Os intervalos de calibração dependem do fabricante e das normas que a empresa siga.

Faturação e indicadores

  • Faturação por projeto: o preço do orçamento, em geral por marcos, com adiantamentos ou por entrega, conforme o contrato.
  • Programa certificado: a fatura sai de programa certificado pela AT, ao qual o sistema se liga por API, se der acesso, ou por exportação. Veja o guia de faturação eletrónica em Portugal.
  • Receita por equipa e por dia de campo, tempo do campo à entrega, que mede o escritório técnico, e utilização de equipamentos, dias de trabalho face aos parados.
  • Margem por projeto: o preço face às horas, ao combustível, aos equipamentos e ao processamento. No exemplo do gabinete, as horas registadas por fase aparecem ao lado do previsto e do honorário: quando o licenciamento passa as horas previstas, a margem da fase cai à vista antes de faturar. Veja também o guia de software de orçamentação e propostas.

Prateleira ou à medida

Há programas de gestão de projetos que servem uma empresa pequena, e recomendamos um deles quando há poucas equipas e trabalhos parecidos. Uma solução à medida faz sentido quando se reconhece nalguns destes casos:

  • Muitos ficheiros por trabalho, a conferir anos depois.
  • Calibrações e qualificações de pilotos a seguir por equipamento e por pessoa.
  • Cadastro com prazos, proprietários e exportação para as plataformas.
  • Projetos de SIG longos, com entregáveis faturados por marcos.
  • Margem que só se apura juntando horas, deslocações, equipamento e processamento.

Se não se reconhece em nenhum, um programa de prateleira deve servir. Se se reconhece, começamos pelo processo mais repetitivo e orçamos caso a caso.

Quanto custa

  • Automação pontual, como alertas de calibração ou envio de relatórios: a partir de €300.
  • Dashboard com projetos, prazos, equipamentos e margem: a partir de €500.
  • Aplicação web com projetos, equipas, equipamentos, ficheiros e faturação: a partir de €800.
  • App mobile para a equipa de campo registar a caderneta, fotografias e ocorrências: a partir de €2.500.
  • Manutenção mensal: a partir de €50.
  • Integrações com equipamentos, plataformas de cadastro, ERP e faturação, e sistemas completos: orçamento caso a caso. O preço final fixa-se na proposta.

Ao avaliar um fornecedor, pergunte: trabalha com DWG, DXF e LAS/LAZ? A exportação para o cadastro está incluída, e quem a atualiza quando as especificações mudam? E que suporte há depois do lançamento?

Se os trabalhos correm em empreitada, com autos de medição e subempreiteiros, veja o guia de software de gestão de obras.

Na Soluções à Medida desenhamos o software à volta dos projetos e equipamentos de cada empresa. Contacte-nos para uma conversa sem compromisso, com estimativa de custo e prazo, e veja também as soluções para construção, as soluções para arquitetura e engenharia e os exemplos por setor.