Uma plataforma B2B (business-to-business) é um canal de vendas digital para transações entre empresas. À primeira vista parece uma loja online, com catálogo, carrinho e encomenda, mas as regras de negócio são outras: preços negociados por cliente, pagamento a prazo, encomendas que chegam em ficheiro.

Escrevemos este guia como quem constrói portais de encomendas entre empresas e, onde temos exemplo em vídeo, mostramos o que acontece no ecrã. Cobre o que distingue o B2B, as funcionalidades, o que é específico de Portugal, a ligação ao ERP, quando chega a prateleira e quanto custa.

O que distingue o B2B do comércio eletrónico para consumidores

  • Preços por cliente: cada cliente ou segmento tem a sua tabela negociada, com descontos por volume e condições por família de produto. Não se resolve com cupões.
  • Formatos de encomenda estruturados: as encomendas B2B chegam muitas vezes em EDI, em ficheiros CSV ou Excel com dezenas de linhas, ou por API. O portal pode aceitá-los, para o cliente não reintroduzir dados que já tem.
  • Pagamento a prazo: o crédito a 30, 60 ou 90 dias é habitual. A plataforma pode gerir limites de crédito por cliente e travar encomendas acima do limite.
  • Aprovações: em empresas com vários compradores, um técnico propõe, um responsável aprova e só depois a encomenda segue para o fornecedor.
  • Catálogos por conta: cada cliente vê apenas as referências que tem acordo para comprar.
O mesmo produto, três clientes, três condições

Distribuidor regional

Tabela A
€8,20por unidade
Condições30 dias
Limite de crédito usado: 62%

Encomenda de €3.900 aceite

Retalhista

Tabela B
€9,10por unidade
Condições60 dias
Limite de crédito usado: 48%

Encomenda de €2.300 aceite

Cliente novo

Tabela padrão
€10,50por unidade
CondiçõesPagamento antecipado
Sem limite de crédito atribuído

Só compra com pagamento antecipado

Exemplo hipotético, com preços ilustrativos. Na plataforma B2B cada empresa vê o preço, o prazo de pagamento e o limite de crédito que negociou. A encomenda é aceite ou travada consoante as condições da conta, sem intervenção manual.

Problemas que uma plataforma B2B resolve

  • Encomendas recolhidas à mão: os pedidos chegam em papel, por telefone ou por email e são digitados no ERP mais tarde, com erros de referência, quantidade ou morada.
  • Orçamentos lentos: o orçamento demora dias, os preços podem já não corresponder ao stock e a oportunidade pode passar a um concorrente.
  • Erros de encomenda: cada erro gera devolução, nota de crédito e um cliente descontente. Esse custo raramente aparece como rubrica própria: para o medir, conte durante um trimestre as notas de crédito e as horas gastas a corrigir.
  • Falta de stock em tempo real: o cliente pede 200 unidades, a encomenda é aceite e só no dia seguinte se descobre que há 80. A entrega parcial sem aviso desgasta a confiança.

Funcionalidades essenciais

  • Portal do cliente com acessos por empresa e vários utilizadores com permissões diferentes (comprador, aprovador, administrador).
  • Preços e descontos por segmento, aplicados automaticamente, incluindo campanhas só para alguns clientes. Num exemplo que fizemos para um grossista fictício, numa encomenda por telefone de um restaurante, o arroz passa de 10 para 24 fardos, acima do escalão de 20, e o preço desce de 9,80 € para 9,30 € pela tabela do cliente. No portal, a lógica é a mesma.
  • Encomendas com aprovação, com circuitos de vários níveis por valor.
  • Importação de encomendas por CSV, Excel ou EDI, com tradução dos códigos do cliente para as referências internas.
  • Histórico e repetição de encomendas, com faturas, guias e estado da entrega.
  • Stock em tempo real, com datas de reposição previstas e registo de interesse em artigos sem stock.
  • Conta corrente e crédito: faturas, notas de crédito, vencimentos e extrato à vista do cliente. No mesmo grossista fictício, um cliente com 3.000 € de limite e 2.650 € em aberto faz uma encomenda de 480 €: a encomenda fica retida e é libertada quando entra o pagamento da fatura vencida.
Uma encomenda em ficheiro, validada linha a linha
Ref. do clienteDescriçãoQtdRef. internaEstado
CLI-0417Parafuso inox M8 × 40200PRD-1023380 em stock · 120 em falta
CLI-0418Porca M8 (caixa 500)10PRD-10240Disponível
CLI-0421Anilha 8 mm50PRD-10257Disponível
CLI-0499Chave hexagonal 5 mm4—Referência desconhecida
3 linhas reconhecidas1 com stock parcial: o cliente escolhe entre entrega parcial e aguardar1 por resolver: fica em revisão, sem bloquear as restantes
Exemplo hipotético. O cliente envia o ficheiro com os seus próprios códigos, a plataforma traduz cada linha para a referência interna e confirma o stock, e só o que tem problema fica à espera de decisão.

O que é específico do mercado português

  • Faturação certificada: quem emite faturas em Portugal usa um programa certificado pela AT, com numeração por série e ATCUD. O portal não emite documentos fiscais por si: integra-se com o programa certificado (ver o guia de faturação eletrónica em Portugal).
  • Meios de pagamento: nas relações regulares entre empresas predominam a fatura a prazo, a transferência e o débito direto SEPA. Os meios online a oferecer dependem do perfil dos clientes: vale a pena perguntar-lhes.
  • NIF do cliente: o NIF é obrigatório nas faturas a empresas. No registo de um novo cliente, a plataforma pode validar o NIF (formato e dígito de controlo) e, para clientes da UE, o número de IVA no sistema VIES. Se a situação contributiva e tributária contar para o crédito, pedem-se ao cliente as certidões oficiais.
  • Português europeu: interface, confirmações, avisos de expedição e alertas de fatura em atraso em português europeu correto, não apenas traduzidos.

Integração com ERP, stocks, logística e contabilidade

Uma plataforma B2B que não se liga aos sistemas internos é só uma montra e cria mais trabalho manual. O que a torna um canal de vendas é a ligação ao ERP: a encomenda confirmada no portal cria uma encomenda de venda no ERP, e a guia e a fatura emitidas pelo ERP ficam disponíveis no portal. Costumamos ligar por API, se o ERP der acesso, ou por exportação de ficheiros, e avaliamos cada caso conforme o programa em uso.

Da encomenda ao ERP, sem reintroduzir dados
Empresa cliente
1Comprador cria a encomenda
2Responsável aprova (acima de €2.000)
Plataforma B2B
3Valida preços, crédito e stock
4Confirma a encomenda ao cliente
ERP do fornecedor
5Cria a encomenda de venda
6Emite guia e fatura, que aparecem no portal
Exemplo hipotético. A encomenda percorre os passos por ordem: aprovação na empresa cliente, validação e confirmação na plataforma e criação automática no ERP. A guia e a fatura voltam ao portal para o cliente consultar, e o documento fiscal é emitido pelo programa de faturação certificado.
  • Stocks: reservar stock no momento da encomenda para não vender o que não existe, tratar lotes e validades quando o setor o exige e avisar de roturas.
  • Logística: custo de transporte na encomenda, guias de transporte e número de seguimento para o cliente, conforme o acesso que cada transportador dê (veja o guia de software para transporte e logística).
  • Contabilidade: faturas para a contabilidade, recebimentos reconciliados e o mesmo extrato no portal e no sistema de gestão.

EDI com grandes retalhistas

Os fornecedores de grandes cadeias de retalho têm muitas vezes de trocar documentos por EDI: encomendas, confirmações, avisos de expedição e faturas eletrónicas, em formatos e protocolos que variam de cliente para cliente (por exemplo, EDIFACT ou XML, sobre AS2, SFTP ou API). Cada retalhista tem o seu processo de arranque, com mapeamento de campos, testes e validação. Uma plataforma à medida pode ter um módulo de EDI configurável, para acrescentar parceiros sem reescrever código, mas a ligação a cada um depende do acesso que der; sem ele, a troca faz-se por exportação de ficheiros.

Num exemplo hipotético, uma encomenda que hoje exige receber o email, ler, criar a encomenda no ERP e confirmar por email pode passar a entrar no ERP sem ser digitada. O tempo poupado depende do volume e do processo de cada empresa.

Casos de uso por setor

Prateleira ou à medida

Se os clientes compram por poucas tabelas de preço, com as mesmas condições, e encomendam pelo catálogo, recomendamos o módulo B2B da loja online ou do ERP que já usa. À medida compensa quando se reconhece num destes casos:

  • Cada cliente tem a sua tabela: escalões por quantidade, campanhas com datas e preços por local de entrega, que o módulo só resolve com exceções feitas à mão.
  • O crédito decide a encomenda: limites por cliente, retenção por faturas vencidas e libertação pela direção com o motivo registado.
  • A encomenda tem de seguir para dentro: plano de produção, rota de entrega ou grelha de tamanhos com comissões de agentes.
  • Os clientes encomendam em ficheiro: CSV, Excel ou EDI com os códigos deles, a traduzir para as referências internas.
  • O ERP não tem módulo B2B, ou o que tem não cobre os casos acima, e trocar de ERP só por isso não compensa.

Quanto custa

  • Automação pontual (por exemplo, confirmação de encomenda por email ou aviso de fatura em atraso): a partir de €300.
  • Dashboard de encomendas, clientes e stock: a partir de €500.
  • Portal B2B como aplicação web (catálogo, preços por cliente, encomendas e histórico): a partir de €800. A ligação ao ERP é orçada caso a caso.
  • App mobile para comerciais tirarem encomendas no cliente: a partir de €2.500.
  • Manutenção mensal: a partir de €50.
  • Plataforma completa com várias integrações, EDI com retalhistas, várias empresas ou países: orçamento personalizado, por fases, conforme o número de clientes, referências e integrações.

O preço final fixa-se na proposta, e o retorno depende do volume. Um exemplo hipotético: uma empresa que recebe 500 encomendas por mês e consegue passar metade para o portal, poupando 30 minutos de trabalho administrativo por encomenda, liberta 125 horas por mês. O valor real depende do processo atual e da adesão dos clientes.

O processo de implementação

  1. Levantamento de requisitos: o modelo comercial, os tipos de clientes, as regras de preços, os processos de encomenda e os sistemas em uso, num documento funcional.
  2. Qualidade dos dados: referências inconsistentes, tabelas de preços em Excel com lógicas por documentar e fichas de clientes incompletas, normalizadas antes de arrancar.
  3. Desenvolvimento e integrações por ciclos curtos, validados pela empresa, com testes das integrações com dados reais antes de ir para produção.
  4. Entrada dos clientes: comunicação, formação dos utilizadores-chave de cada cliente e um período com o canal antigo em paralelo.
  5. Suporte e evolução: correção de erros, atualizações de segurança, mudanças legais e novas funcionalidades pedidas pelos utilizadores.

Por onde começar

Se as encomendas B2B ainda chegam por email ou telefone, o primeiro passo não é escolher tecnologia, é medir o processo atual: as horas por semana a receber, validar e introduzir encomendas, e os erros do último trimestre.

Depois, identifique os clientes com mais volume e mais vontade de encomendar online. Costumamos começar por eles e pelo processo mais repetitivo: um primeiro portal só com o essencial, antes de uma plataforma completa.

Na Soluções à Medida fazemos plataformas B2B ligadas aos sistemas de gestão em uso. Contacte-nos para falarmos dos seus processos, com estimativa de custo e prazo, e receba resposta em menos de 24 horas. Veja também o guia de integração de sistemas, os exemplos por setor e os guias por setor.