Uma consulta de dermatologia trabalha com imagens, datas e comparações: a lesão que se fotografou há um ano, o mapa das pintas do doente, o resultado da biópsia que chegou por email, a dose de fototerapia da sessão anterior. Em pastas e folhas soltas, perde-se o fio. Este guia é para quem gere uma clínica de dermatologia clínica, e escrevemo-lo como quem constrói este software: onde temos exemplo em vídeo, descrevemos o que se vê. Cobre o que o software deve fazer, as regras de dados e de faturação, quando basta a prateleira e quanto custa.

Se a clínica se dedica sobretudo a tratamentos estéticos (injetáveis, lasers, peelings, lotes e consentimentos), veja antes o guia de software para clínicas de medicina estética. Aqui tratamos a dermatologia clínica: vigilância de lesões, biópsias e fototerapia. Para o essencial de qualquer clínica, veja o guia de software para clínicas e profissionais de saúde.

Ficha dermatológica e mapa corporal

  • Anamnese: patologias crónicas, alergias, medicação em curso (incluindo anticoagulantes e fármacos fotossensibilizantes) e fototipo de Fitzpatrick (I a VI).
  • Exame: morfologia das lesões (mácula, pápula, vesícula, placa), distribuição e características, com apoio de dermatoscopia nas lesões pigmentadas.
  • Mapa corporal: cada lesão marcada num esquema do corpo, com localização, tamanho, imagens e estado na consulta anterior.
Mapa corporal de lesões pigmentadas
12345
1Tórax esquerdoEstável
2Ombro direitoEstável
3Antebraço esquerdoAlterada
4Coxa direitaEstável
5AbdómenNova
Cada marca liga a um registo com fotografia e imagem dermatoscópica, e o estado compara a última consulta com a anterior. A avaliação de cada lesão é sempre clínica.
Exemplo hipotético, com uma figura esquemática. O mapa dá ao médico uma vista geral do doente e diz onde estão as lesões que exigem atenção, em vez de depender da memória de quem viu o doente na última consulta.

Imagem, fotodocumentação e comparação

As imagens dermatoscópicas e as fotografias de evolução (antes e depois de um tratamento, evolução de uma psoríase ou de uma acne) fazem parte do processo clínico. O software deve importar e arquivar as imagens associadas ao doente e à lesão, com a data, e permitir compará-las lado a lado na mesma escala. Costumamos ligar o dermatoscópio digital por API, se o fabricante der acesso, ou por exportação; depende do modelo e avalia-se caso a caso.

A mesma lesão, um ano depois
Março de 20254 mm
2 tons de cor · bordo regular
→
Março de 20265 mm
3 tons de cor · bordo irregular
Alteração assinalada para reavaliação médica: aumento do diâmetro, mais um tom de cor e bordo mais irregular. O sistema junta as duas imagens, com a escala, e o médico decide o que fazer.
Exemplo ilustrativo, com lesões desenhadas e sem valor clínico. O sistema arquiva as imagens datadas de cada lesão, na mesma escala, para o médico comparar a evolução em vez de comparar de memória.

Biópsias e anatomia patológica

A biópsia cutânea é um ato frequente. O software deve registar a localização e a técnica, o envio ao laboratório de anatomia patológica, o seguimento do pedido (enviado, recebido, resultado disponível) e o resultado histológico no processo do doente. A ligação eletrónica depende do que cada laboratório disponibiliza: confirme-a antes. O ponto mais útil é o alerta de biópsias sem resultado passado um prazo definido pela clínica.

Fototerapia e lasers

A fototerapia (UVB de banda estreita, PUVA) usa-se em doenças inflamatórias crónicas como a psoríase, a dermatite atópica e o vitiligo. O protocolo, a dose e o limite são decisões do médico. O software regista o tipo de radiação, a dose por sessão (em mJ/cm²), a dose acumulada, as sessões feitas e as planeadas e os efeitos secundários, e avisa quando a dose acumulada se aproxima do limite que o médico definiu. Nos tratamentos com laser, regista os parâmetros de cada sessão (comprimento de onda, fluência, tamanho do spot) e a resposta clínica.

Fototerapia: dose por sessão e dose acumulada
02.0004.0006.000130023003345439553956455745585209520106001160012690limite definido pelo médico: 6.000Aviso: 93% do limite5.575 mJ/cm²Sessão
Dose de cada sessão (mJ/cm², valor sobre a barra)Dose acumulada (mJ/cm², eixo à esquerda)
Exemplo hipotético, com valores ilustrativos e sem valor clínico. O protocolo e o limite de dose são definidos pelo médico para cada doente. O sistema soma as doses de todas as sessões e avisa quando a dose acumulada se aproxima do limite.

Equipamentos e consumíveis

  • Equipamentos: dermatoscópios digitais, sistemas de mapeamento, câmaras, cabines de fototerapia e lasers são dispositivos médicos, sujeitos ao regime europeu dos dispositivos médicos (Regulamento (UE) 2017/745), com o INFARMED como autoridade competente em Portugal. O software controla as datas de manutenção e de calibração recomendadas pelo fabricante e o histórico de intervenções.
  • Consumíveis: material de biópsia, pensos e formulações manipuladas, com lotes e validades, e o lote usado em cada doente quando faz sentido clinicamente.
  • Agenda e utilização: no exemplo que fizemos para uma clínica médica fictícia, a agenda junta médicos e gabinetes e o site mostra só as vagas reais: a marcação online entra com o gabinete livre, e o utente recebe confirmação e lembrete na véspera. Cada consulta pode reservar o equipamento, e as horas usadas face às disponíveis ajudam a decidir investimentos.

RGPD, imagem clínica e consentimento

Uma clínica de dermatologia trata dados de saúde, uma categoria especial no RGPD (artigo 9.º), e as fotografias de lesões são dados de saúde. O acesso deve ser controlado e registado, e as imagens devem estar cifradas e protegidas. O consentimento informado deve ficar registado antes de procedimentos invasivos, com a versão do formulário e a data. No exemplo que fizemos para uma clínica dentária fictícia, o consentimento abre no tablet e o paciente assina no ecrã, ficando na ficha com data e hora. Usar as imagens de um doente para ensino, publicação científica ou marketing exige um consentimento específico e separado do consentimento clínico, com o âmbito da utilização. Em doentes menores, o consentimento é dado por quem tem a responsabilidade parental.

Os prazos de conservação dos processos clínicos dependem da legislação setorial e das orientações aplicáveis, e o RGPD obriga a limitar a conservação ao necessário. Confirme-os com o encarregado de proteção de dados ou com um jurista antes de configurar as regras de arquivo. Veja também os exemplos para o setor da saúde.

Faturação e convenções

  • IVA: os serviços médicos prestados por médicos com finalidade de diagnóstico e tratamento estão isentos de IVA ao abrigo do artigo 9.º do CIVA, e os atos sem finalidade terapêutica podem ter enquadramento diferente. Valide a configuração com o contabilista.
  • Faturação certificada: recibos e faturas emitidos por programa certificado pela AT, com comunicação e-fatura. Veja o guia de faturação eletrónica em Portugal.
  • Tratamentos por fases: uma série de laser pode ser orçamentada por fases. No exemplo que fizemos para uma clínica dentária fictícia, o orçamento sem resposta avisa a receção e a fase aceite entra na agenda; as outras fases ficam em aberto.
  • Subsistemas e seguros: os subsistemas (como a ADSE, em regime convencionado ou livre) e as seguradoras têm regras e códigos próprios. O software deve faturar por entidade, com a informação que cada uma exige, e a codificação de diagnósticos (como a ICD-10) segundo o que a entidade pedir.
  • Notificação de doenças: confirme se a clínica tem obrigações de notificação, por exemplo de neoplasias, e quais, antes de as automatizar.

Indicadores úteis

  • Receita por tipo de ato: consulta, dermatoscopia com mapeamento, biópsia, fototerapia.
  • Seguimento de vigilância: a percentagem de doentes em vigilância que voltam ao controlo no prazo recomendado pelo médico. A falta ao controlo pode ter consequências clínicas, por isso convém um alerta automático.
  • Biópsias pendentes e há quanto tempo; faltas e cancelamentos por tipo de consulta.

Programa de prateleira ou à medida?

A nossa recomendação: se a clínica faz sobretudo consultas, com agenda, ficha e faturação certificada, um programa de prateleira serve e é por aí que deve começar. O caso muda num destes pontos:

  • Muitos doentes em vigilância, e o programa não compara a mesma lesão em datas diferentes.
  • Dose acumulada de fototerapia somada à mão, numa folha à parte.
  • Biópsias seguidas por email ou em papel, sem aviso quando o resultado tarda.
  • Imagens do dermatoscópio em pastas, fora do processo do doente.
  • Programa que serve no resto: fazemos só a peça que falta, ao lado dele.

Quanto custa e o que perguntar ao fornecedor

  • Automação pontual (alertas de vigilância, de sessões de fototerapia e de biópsias sem resultado): a partir de €300.
  • Dashboard de ocupação, seguimento e receita por tipo de ato: a partir de €500.
  • Aplicação web com ficha dermatológica, mapa corporal, imagens datadas, biópsias e faturação: a partir de €800.
  • App mobile para consultar o mapa e as imagens ou registar fotografias no gabinete: a partir de €2.500.
  • Manutenção mensal: a partir de €50.
  • Integrações com equipamento, laboratórios, convenções e faturação certificada, e sistemas completos: orçamentamos caso a caso. O preço final fixa-se na proposta.

Ao avaliar um fornecedor, pergunte: as imagens entram a partir do nosso dermatoscópio, e em que formato? O mapa corporal compara a mesma lesão em datas diferentes na mesma escala? A dose acumulada de fototerapia é somada e avisa? Que registo de acessos existe, e quem vê as imagens? Onde ficam os dados e como se exportam se um dia mudarmos de sistema?

Fazemos software para clínicas de dermatologia e começamos pelo processo mais repetitivo, como os alertas de vigilância ou as biópsias pendentes. Contacte-nos para uma conversa sem compromisso, com estimativa de custo e prazo, e veja também os exemplos por setor.