Numa loja de roupa, cada artigo existe em várias cores e tamanhos, e um tamanho esgotado é uma venda perdida. Um software de gestão para lojas de roupa e retalho têxtil trata do stock por cor e tamanho, das coleções, do ponto de venda e da loja online, das devoluções e da faturação. Escrevemos este guia como quem constrói este software, com exemplos em vídeo onde os temos, e dizemos quando um programa de retalho certificado chega.
O retalho têxtil em Portugal vai das cadeias de pronto-a-vestir às boutiques de moda de autor, lojas de desporto, roupa infantil e e-commerces de moda, todos sob a pressão das plataformas internacionais de moda rápida.
Este guia é para quem vende roupa ao consumidor. Se produz roupa, veja o guia de software para a indústria têxtil e do vestuário. Se é uma marca de moda portuguesa, o de software para marcas de moda portuguesa aprofunda o que é próprio de quem cria e distribui a coleção.
Stock por referência, cor e tamanho
- Matriz de stock: a unidade de stock é a combinação de referência, cor e tamanho (de XS a XXL), com mínimos por tamanho. Num exemplo que fizemos para uma empresa de calçado, fictícia, uma encomenda reserva 20 pares numa grelha de stock por modelo, cor e tamanho e o tamanho em falta fica pendente.
- Saldos e fim de coleção: o que não vendeu na época passa a preço de saldo, com o histórico do que foi saldado.
- Inventário físico periódico: contagem e reconciliação com o stock teórico, para detetar quebras por furto ou por registo incorreto.
- Coleções e compras: temporadas, encomendas aos fornecedores meses antes e plano de coleção com referências, gamas de preço e orçamento por categoria.
Ponto de venda e caixa da loja
- Leitura de artigos: código de barras ou etiqueta RFID, com o preço calculado e os descontos de saldo aplicados.
- Pagamento e talão: multibanco, NFC e numerário, e um talão com as condições de troca e de devolução.
- Fidelização: cartões de cliente, pontos por compra e vouchers de desconto.
E-commerce, omnicanal e devoluções
- Loja online: catálogo por cor e tamanho, pagamento online (Multibanco, MB Way e cartão) e stock comum ao armazém e à loja. Num exemplo para uma loja de comércio eletrónico, fictícia, a última toalha vendida ao balcão passa a «por encomenda» no site e fica esgotada nos marketplaces, conforme o acesso que cada plataforma dá.
- Omnicanal: comprar online e levantar na loja (click and collect) ou devolver na loja uma encomenda online.
- Devoluções e trocas: as regras vêm da garantia dos bens de consumo (Decreto-Lei n.º 84/2021) e dos contratos à distância (Decreto-Lei n.º 24/2014). O consumidor tem 14 dias para devolver uma compra online sem justificação, e as trocas em loja seguem a política comercial da empresa (por exemplo, 30 dias). Verifica-se o estado do artigo, emite-se nota de crédito ou vale de troca e repõe-se em stock o que estiver em condições de revenda. Noutro exemplo de comércio eletrónico, fictício, a devolução pedida online entra com data e a equipa vê o prazo de reembolso a contar, e a nota de crédito sai do programa certificado.
Fornecedores, visual merchandising e faturação
- Fornecedores e compras: fabricantes portugueses e estrangeiros, prazos de entrega, incoterms (por exemplo, FOB ou DDP) e verificação de amostras antes de aceitar a entrega.
- Visual merchandising: planograma por zona, categoria e cor, e calendário de vitrinas para cada nova coleção ou promoção.
- Faturação: fatura ou talão de software certificado pela AT, IVA a 23% no vestuário e nos acessórios, e faturação mensal a empresas com conta aberta ou que compram fardamentos.
RFID e marketplaces
- RFID: com uma etiqueta em cada artigo, um leitor faz o inventário de centenas de artigos de uma vez, os alarmes ajudam a prevenir furtos e vê-se o stock de cada artigo em cada loja.
- Marketplaces: vender em marketplaces de moda (como a Zalando, a ASOS, a Amazon Fashion ou a Farfetch) exige sincronizar catálogo e stock, receber as encomendas no mesmo backoffice e comparar canais por conversão, devoluções e margem depois das comissões, por API se a plataforma der acesso, ou por exportação.
Indicadores de uma loja de roupa
- Taxa de conversão: percentagem de visitas que resultam em compra. Compara-se com o histórico da própria loja, porque varia com o tipo de loja, o local e a época. Melhora com a formação da equipa, o visual merchandising e os tamanhos mais pedidos disponíveis.
- Vendas por metro quadrado: faturação dividida pela área de venda, base para decidir abrir, expandir ou fechar uma loja.
- Taxa de stock saldado: parte do stock de uma coleção saldada no fim da época. Mede o planeamento da coleção e afeta a margem bruta.
- Ticket médio: valor médio de cada compra, influenciado pelo mix de produtos e pelas vendas cruzadas.
Programa de retalho certificado ou à medida?
A nossa recomendação, para a maioria das lojas, é um programa de retalho com ponto de venda certificado pela AT, que fica com a caixa, o talão e a faturação. O à medida entra como camada à volta, onde esse programa não chega:
- Uma ou duas lojas, sem venda online: o programa certificado chega, desde que tenha matriz de cor e tamanho e saldos por coleção.
- Loja física e online com stocks separados: uma camada à medida pode juntar o stock e enviá-lo a cada canal.
- Vários marketplaces ou lojas: se o programa não junta as encomendas nem mostra a margem por canal, o à medida ajuda.
- Devoluções online geridas por email: um fluxo próprio pode registar cada passo e o prazo, e o programa certificado emite a nota de crédito.
- Indicadores em folhas de cálculo: um painel pode ler os dados do programa sem mexer na faturação.
Quanto custa e por onde começar
Um bom ponto de partida é o stock por cor e tamanho, onde se perdem vendas e margem em saldos. Os patamares: automação pontual, como alertas de stock mínimo por tamanho, a partir de €300; dashboard de vendas por loja, ticket médio e stock saldado a partir de €500; aplicação web de stocks e devoluções ligada ao programa certificado a partir de €800; app mobile para a equipa ou para os clientes a partir de €2.500; manutenção a partir de €50 por mês. A ligação à loja online ou a marketplaces por API é orçada caso a caso, e o preço final fixa-se na proposta.
Veja os exemplos de software para calçado e têxtil e para comércio eletrónico, ou os exemplos por setor. O stock multi-loja e a venda online integrada estão no guia de software para comércio eletrónico. Começamos pelo processo mais repetitivo da sua loja, ligamos ao programa que já usa por API, se der acesso, ou por exportação, e orçamos caso a caso. Contacte-nos.