Uma marca de moda, de estilista, pronto-a-vestir, fardamento, calçado ou acessórios, gere ao mesmo tempo o criativo e o industrial: coleções por temporada, amostras, confecionistas, retalhistas, loja online e imprensa. Muitas marcas portuguesas produzem no país, com ateliês e fábricas do Norte e do Centro, e as associações do setor, como a ATP (Associação Têxtil e Vestuário de Portugal), representam-nas.

Um software de gestão para marcas de moda junta o calendário de coleção, as amostras, as ordens de produção, o stock por referência e cor, o showroom, a faturação a retalhistas e o comércio eletrónico. Escrevemos este guia como quem constrói este software: cada área do lado da marca, exemplos em vídeo onde os temos e como decidir entre prateleira e à medida. Se procura o lado da fábrica, com planeamento de corte e subcontratação, veja o guia de software para a indústria têxtil e vestuário.

Coleções, desenvolvimento de produto e amostras

  • Calendário da coleção: duas grandes temporadas, primavera/verão e outono/inverno, com o desenvolvimento a começar muito antes da loja. O software controla as datas-chave (fim do design, amostras prontas, apresentação comercial, entrega ao retalho) e o estado de cada referência.
  • Briefing e amostras: tema, paleta, materiais e silhuetas, e depois as amostras, com revisões de corte, caimento e acabamentos até à aprovação.
  • Materiais: tecidos, forros, fechos e aviamentos, com a aprovação de qualidade, sustentabilidade e preço de cada um.

Produção e fornecedores de confeção

Produzir uma coleção implica coordenar fornecedores de tecidos e aviamentos, confecionistas e acabamentos, como estamparias, bordados e lavandarias. O software deve permitir:

  • criar e seguir ordens de produção, com referência, quantidades por tamanho e cor, fornecedor, prazo e custo unitário. Num exemplo que fizemos para uma fábrica de calçado, fictícia, o tamanho em falta fica pendente, ligado à ordem de produção; uma marca de roupa pode usar a mesma grelha;
  • registar o controlo de qualidade à receção, com as não conformidades e os pedidos de retrabalho;
  • gerir o stock de matérias-primas, com o custo por metro e o consumo por referência.

Showroom, retalhistas e exportação

No showroom a coleção vende-se ao retalho: compradores de lojas multimarca, grossistas e cadeias visitam a marca nas semanas de vendas, com datas de cada calendário de moda. O software deve suportar:

  • Pré-encomendas: registo das encomendas de cada retalhista, com referências, quantidades por tamanho e cor, preço, condições de pagamento e prazo de entrega. No mesmo exemplo, a loja escolhe os pares por tamanho no portal, com o seu preço, e a encomenda entra na fábrica; uma marca pode receber assim as pré-encomendas.
  • Confirmação de produção: uma referência só é produzida se as pré-encomendas atingirem o mínimo de produção (MOQ) do fornecedor. Abaixo disso, a marca junta mais encomendas, reduz a gama ou assume o risco.
  • Clientes retalhistas: condições comerciais, histórico de encomendas por temporada, devoluções e estado de pagamento das faturas.
  • Exportação: as feiras e showrooms internacionais são um eixo de crescimento para muitas marcas portuguesas, e a recolha de encomendas deve funcionar mesmo sem rede.
Pré-encomendas do showroom face ao mínimo de produção
Casaco de lã
MOQ 150
210 un.Vai para produção
Camisa de popeline
MOQ 200
236 un.Vai para produção
Vestido de linho
MOQ 100
64 un.Abaixo do MOQ: decidir
Saia plissada
MOQ 120
118 un.Abaixo do MOQ: decidir
Exemplo hipotético. Cada referência só entra em produção se as pré-encomendas atingirem o mínimo (MOQ) do fornecedor. As que ficam abaixo pedem uma decisão: juntar mais encomendas, reduzir a gama ou aceitar o risco.

Comércio eletrónico e venda direta

A loja online da marca (venda direta ao consumidor, ou DTC) reduz a dependência dos retalhistas multimarca e devolve à marca a margem de retalho. O software deve ligar o catálogo, as fotografias, os tamanhos por referência, um stock único para todos os canais e os operadores logísticos, para expedições e devoluções. Num exemplo para uma loja de têxteis para casa, fictícia, a última toalha vendida ao balcão passa o stock a zero nos canais online, ligados por API, se derem acesso, ou por exportação. A gestão do catálogo e do stock em vários canais está no guia de software para comércio eletrónico.

Indicadores de uma marca de moda

  • Sell-through da coleção: a percentagem das peças produzidas que já foi vendida. Semana a semana, mostra cedo o que está parado, antes dos saldos. O valor bom depende da marca e do produto: compare com o seu histórico.
  • Margem bruta por produto: preço de venda menos custo de produção. Cada marca define o seu multiplicador; importa medi-lo por referência.
  • Concentração de clientes: peso dos maiores retalhistas na faturação. Depender de um só cliente é um risco, e o limite aceitável decide-o a marca.
  • Peso da venda direta: parte das vendas da loja online e das lojas próprias, com margens normalmente superiores às dos retalhistas.
Sell-through de duas referências ao longo da temporada0%25%50%75%100%048121620Início dos saldosCasaco de lã 82%Vestido de linho 48%semanas de temporada
Exemplo hipotético. O sell-through é a percentagem das peças produzidas que já foi vendida. Acompanhá-lo semana a semana mostra cedo o que está a ficar parado, antes de se chegar aos saldos.

Sustentabilidade e rastreabilidade de materiais

Os consumidores e a regulação europeia pedem cada vez mais informação sobre a origem e a durabilidade dos produtos. O Regulamento do Ecodesign para Produtos Sustentáveis (ESPR) prevê o Passaporte Digital de Produto, e os requisitos concretos para os têxteis dependem de atos ainda por definir. Para se preparar, registe a origem de cada material (país, fornecedor e certificações, como o GOTS para o algodão orgânico) e ligue-a à referência e à ordem de produção. Assim comunica a sustentabilidade com factos e não com slogans.

Amostras de imprensa, desfiles e devoluções

As peças emprestadas a jornalistas, fotógrafos, estilistas e influencers para editoriais são uma ferramenta de relações públicas e precisam de controlo: a quem foi emprestada cada peça, quando, por quanto tempo, em que estado volta e o que ficou publicado. O software guarda também os contactos de imprensa e os pedidos de empréstimo.

Quadro de amostras de imprensa

Na loja ou no ateliê 1

Casaco de lã · tam. MDisponível

Emprestadas 2

Vestido de linho · tam. SEditorial de revistaDevolução a 12/10
Camisa de popeline · tam. MEstilista, sessão de fotosDevolução a 03/10 · atrasada

Devolvidas 1

Saia plissada · tam. SInfluencerDevolvida · conferida
Exemplo hipotético. Cada peça emprestada a jornalistas, estilistas ou influencers tem o seu registo de quem a tem, até quando e em que estado volta, e o sistema destaca as devoluções em atraso.
  • Desfiles e eventos: participar em eventos como a ModaLisboa ou o Portugal Fashion exige logística (seleção de peças, casting, ensaios, comunicação), que pode ser planeada no mesmo sistema.
  • Devoluções: peças não vendidas devolvidas pelos retalhistas no fim da temporada (em regimes de consignação) ou com defeito de fabrico. O software controla os créditos ao retalhista e o destino de cada peça: voltar ao stock, ir para outlet, ser doada ou reciclada.

Programa de prateleira ou à medida

Se vende sobretudo online, com poucas referências e sem retalhistas, recomendamos um programa de prateleira de loja online e de faturação. É caso de software à medida quando:

  • Vende a retalhistas por pré-encomenda, com mínimos de produção a confirmar.
  • Produz em confecionistas e quer a grelha de tamanho e cor ligada às ordens de produção.
  • Empresta amostras ou recebe consignação, com prazos e créditos peça a peça.
  • Vende em vários canais e precisa de um só stock.

Quanto custa

Um sistema completo para uma marca de moda, com coleções, produção, showroom e loja online, é orçamentado à medida. Para começar por partes: automação pontual, como avisos de datas-chave da coleção ou de devoluções de amostras em atraso, a partir de €300; dashboard de sell-through, margem por referência e concentração de clientes a partir de €500; aplicação web para um processo, como as pré-encomendas do showroom ou o empréstimo de amostras, a partir de €800; app mobile para recolher encomendas em feira a partir de €2.500; manutenção mensal a partir de €50. As ligações à loja online ou ao software de faturação são orçadas caso a caso. O preço final fixa-se na proposta.

Veja os exemplos de software para calçado e têxtil e para comércio eletrónico, ou explore os exemplos por setor. As ordens de produção e a rastreabilidade de lote estão no guia de software para indústria e fabricação. Começamos pelo processo mais repetitivo da marca e orçamos caso a caso. Contacte-nos.