Uma lavandaria industrial vive de três contas que raramente batem certo à primeira: quantas peças entraram e quantas saíram, quanto custou lavar cada quilo, e quantas lavagens ainda aguenta cada lençol. Com hotéis, restaurantes, clínicas e lares, a discussão das peças perdidas aparece todos os meses. Este guia é para quem gere uma lavandaria industrial ou uma empresa de aluguer e tratamento de têxteis em Portugal. Escrevemo-lo como quem constrói este tipo de software; onde temos, mostramos um exemplo em vídeo. Cobre funções, regras, prateleira ou à medida, e custos. Se o seu negócio é limpeza de instalações, veja o guia de software para empresas de limpeza e facilities; do lado dos clientes, o de software de gestão hoteleira.
Recolhas, entregas e o balanço de peças
A roupa suja é recolhida em sacos ou carros, contada ou pesada, e volta limpa em dias e horas combinados (um hotel quer a roupa antes de as camareiras começarem). O software deve organizar as rotas por cliente e horário, registar no telemóvel do motorista o que foi recolhido e entregue, com assinatura, e sobretudo fazer o balanço por artigo. Num exemplo para uma transportadora fictícia, as entregas aparecem por viatura, com o peso e a capacidade, e as rotas seguem para a app dos motoristas; numa lavandaria, o mesmo pode servir as recolhas:
- Contagem à entrada e à saída, por artigo e por cliente, com leitura de códigos de barras ou RFID quando as peças estão marcadas.
- Relavagens separadas das perdas: uma peça que voltou à máquina por mancha não está perdida.
- Reconciliação periódica com o cliente, com a lista das peças sem leitura e a regra de responsabilidade definida no contrato.
- Reclamações na entrega: peças em falta, danificadas ou mal lavadas, com fotografia.
Produção: programas, cargas e custo por kg
Na receção, a roupa é separada por tipo e por programa: algodão branco, toalhas, fardas de cozinha, têxteis de saúde, delicados. Cada programa tem temperatura, tempo e químicos próprios, logo um custo por quilo diferente. Sem registo, fatura-se sem saber quanto custa cada cliente.
- Programa por artigo e por cliente, com o que vem do fornecedor de químicos e do fabricante das máquinas.
- Plano de cargas por máquina e turno, dentro da capacidade e das horas de entrega.
- Leitura dos dados das máquinas (programa, temperatura, duração), quando o equipamento o permite, para custo real e para prova do processo.
- Controlo de qualidade na saída: não conformidades, relavagens e causas. Num exemplo para uma empresa de limpeza fictícia, a zona abaixo do mínimo abre uma ação corretiva com prazo e responsável; uma não conformidade pode seguir o mesmo caminho.
Têxteis de saúde: separação e prova do processo
A roupa de hospitais, clínicas e lares exige mais cuidado: separação física entre a zona suja e a zona limpa, programas com desinfeção validada e registo de cada carga. A referência técnica habitual é a norma EN 14065, que define um sistema de controlo da biocontaminação (RABC) nas lavandarias de têxteis. Os requisitos de cada contrato vêm do cliente e da sua comissão de controlo de infeção, por isso o software deve guardar o protocolo de cada cliente, o registo da máquina por carga e os resultados das verificações microbiológicas que o contrato prever. Confirme os requisitos com o cliente antes de prometer um processo.
Rastreio por RFID e ciclo de vida das peças
Com etiquetas RFID resistentes à lavagem, cada leitura conta uma lavagem e diz onde a peça esteve pela última vez. Isto muda duas conversas: a das perdas, porque há uma lista de peças concretas e não uma diferença de números, e a da reposição, porque se vê quais as peças a chegar ao fim de vida antes de o cliente se queixar. Noutro exemplo de limpeza, a contagem no posto do cliente prepara a reposição do que está abaixo do mínimo, com o custo nesse cliente; a lógica pode servir para repor têxteis.
O RFID tem custo por peça e exige leitores nos pontos certos: recolha, receção, expedição. As leituras entram se o leitor der acesso ou por exportação. Para clientes com pouca roupa própria, o código de barras ou a contagem por artigo podem chegar; o software deve aceitar as duas formas.
Regras que interessam
- Águas residuais: as descargas de uma lavandaria industrial precisam de autorização da entidade gestora do sistema de saneamento, que fixa os valores-limite e o autocontrolo. Confirme as condições no regulamento municipal ou na licença.
- Limpeza a seco com solventes: a limpeza a seco é uma das atividades abrangidas pelo regime das emissões de compostos orgânicos voláteis (Decreto-Lei n.º 127/2013, capítulo V e anexo VII), com obrigações como o plano de gestão de solventes. A APA publicou um guia de apoio a esta atividade; confirme nele e na CCDR o enquadramento da sua instalação.
- Produtos químicos: fichas de dados de segurança acessíveis às equipas e armazenagem segundo as indicações do fornecedor.
- Segurança no trabalho: calor, humidade, cargas e produtos químicos são riscos a avaliar com um técnico de segurança.
- Faturação: por peça, por kg ou por aluguer de têxteis, sempre por programa certificado. Veja o guia de faturação eletrónica em Portugal.
Este resumo vem de fontes públicas e de conhecimento geral, e não substitui um técnico de ambiente, um técnico de segurança ou um jurista.
Indicadores que vale a pena seguir
- Peças sem leitura por cliente e por mês, e perdas confirmadas.
- Relavagens por causa e por programa.
- Custo por kg por cliente: água, energia, químicos e mão de obra.
- Cumprimento das horas de entrega.
- Peças perto do fim de vida e reposições previstas.
Prateleira ou à medida
Na nossa opinião, a prateleira chega quando fatura a poucos clientes, sem roupa de saúde, com rotas fixas. À medida faz sentido quando:
- o balanço de peças segue a regra de cada contrato;
- há clientes de saúde com protocolo próprio;
- quer o custo por kg por cliente;
- mistura RFID, código de barras e contagem.
Quanto custa
- Automação pontual (aviso de peças sem leitura, alerta de entrega atrasada, relatório mensal por cliente): a partir de €300.
- Dashboard com balanço de peças, custo por kg e relavagens: a partir de €500.
- Aplicação web com clientes, artigos, programas, produção e reconciliação: a partir de €800.
- App mobile para motoristas, com recolhas, entregas, assinatura e fotografias: a partir de €2.500.
- Manutenção mensal: a partir de €50.
- Leitores RFID, ligação às máquinas e túneis de lavagem, faturação certificada e sistemas completos: caso a caso, se o equipamento der acesso ou por exportação. O preço final fixa-se na proposta.
Antes de pedir propostas, conte durante um mês as peças que entram e saem de dois ou três clientes, e o tempo que se gasta na reconciliação. Os números mostram o que automatizar primeiro.
O que perguntar a um fornecedor
- Como separa relavagens de perdas?
- Funciona com código de barras e RFID, e com que leitores?
- Lê os dados das máquinas que tenho, e com que formato?
- Como guarda o protocolo e o registo de carga dos clientes de saúde?
- Como calcula o custo por kg e por cliente?
- Como exporto os dados se mudar, e quanto custa ao fim de três anos?
Por onde começar
Comece pelo balanço de peças por cliente, com contagem à entrada e à saída, e pela app do motorista. O custo por kg e o RFID vêm depois, com a base fiável.
Na Soluções à Medida começamos pelo processo mais repetitivo e ligamos por API se der acesso, ou por exportação. Contacte-nos para uma conversa sem compromisso, com estimativa de custo e prazo. Veja também as soluções para limpeza, o guia de gestão industrial e os exemplos por setor.