Uma loja de bricolage e materiais de construção tem milhares de referências (parafusos por diâmetro e comprimento, tintas por base e cor, ferramentas por modelo), clientes profissionais com preços próprios e, nalguns casos, equipamento para aluguer. Um ponto de venda genérico resolve o balcão e deixa de fora o resto: localizar o artigo, aplicar o preço do empreiteiro, saber que betoneira está onde e provar que o equipamento estava em condições quando saiu. Este guia é para quem gere uma loja de ferragens, bricolage ou materiais de construção, ou uma empresa de aluguer de ferramentas e equipamento em Portugal. Escrevemo-lo como quem constrói este tipo de software: o que deve fazer, que regras interessam, quando chega um programa pronto e quanto custa. Onde temos, mostramos um exemplo em vídeo, de uma loja fictícia. Se o seu negócio é só aluguer, veja também o guia de software para empresas de aluguer de equipamentos.

O catálogo e o stock

  • Artigos com referência interna e código de barras, marca, unidade de medida (unidade, metro, quilo, metro quadrado) e preços de custo e de venda por tabela e por cliente.
  • Localização por corredor e prateleira, para o vendedor não procurar nem dizer «não há» quando há em armazém. No exemplo que fizemos, o funcionário pesquisa por nome e vê o corredor, a prateleira e a alternativa equivalente quando o artigo esgotou.
  • Stock mínimo por referência, calculado a partir do consumo e do prazo de entrega do fornecedor, e encomendas por consumo real. Quando só se encomenda por impressão, os sazonais sobram nos meses errados.
  • Lotes e validades para os produtos que os têm (tintas, colas, produtos químicos).
  • Contagem de inventário com leitura de código de barras no telemóvel, sem parar a loja.

Clientes profissionais e preços negociados

Empreiteiros, construtoras e empresas de manutenção são os clientes de maior volume, com exigências que um ponto de venda não cobre: preços negociados por cliente ou por família de produto, encomenda por telefone ou online, histórico por obra e faturação mensal consolidada.

Encomenda de um cliente profissional, com os seus preços
ClienteConstrutora Exemplo, Lda.
ObraMoradia em Braga · centro de custo 2026-14
DisponibilidadeTudo em stock, levantamento amanhã
ArtigoQtd.TabelaO seu preço
Cimento, saco de 25 kg2005,40 €4,75 €−12%
Argamassa de assentamento607,90 €7,11 €−10%
Rede de fibra de vidro, rolo1218,50 €17,57 €−5%
Disco de corte diamante824,00 €20,40 €−15%
Total a preços de tabela1968,00 €
Total com os preços da empresa1750,64 €
O cliente profissional vê o seu preço, o stock e a obra na mesma encomenda. O portal aplica os preços negociados por cliente e por família de produto, mostra a disponibilidade e associa a encomenda à obra, para o controlo de custos do cliente e para a fatura mensal consolidada. Os preços, os descontos e a empresa do exemplo são fictícios, sem IVA.
Exemplo hipotético de uma encomenda no portal de clientes profissionais, com preços e descontos fictícios, sem IVA.

Aluguer de equipamento

Uma empresa com dezenas de máquinas precisa de saber qual está alugada a quem, até quando, em que estado saiu e que caução foi retida. Sem registo, a mesma máquina pode ser prometida a dois clientes, e uma avaria sem fotografia de saída fica por conta da empresa.

Calendário do aluguer: quem tem cada equipamento
1234567891011121314
Betoneira 1
Cliente ACliente B
Betoneira 2
Cliente C
Compressor
Cliente DRevisãoCliente E
Gerador
Cliente FPedido G
Martelo demolidor
Cliente H
Módulos de andaime
Obra I
AlugadoEm manutençãoPedido sobreposto
Gerador: o pedido G sobrepõe-se ao aluguer do Cliente FOs dias 8 e 9 estão em conflito. O sistema não deixa confirmar o pedido, e propõe outro gerador ou outras datas.
A mesma máquina não se promete a dois clientes. O calendário mostra cada equipamento dia a dia, inclui as revisões como bloqueio e assinala os pedidos que colidem com um aluguer já feito. Os equipamentos, os clientes e as datas do exemplo são fictícios.
Exemplo hipotético, com seis equipamentos e duas semanas fictícias.
  • Ficha de aluguer por equipamento: cliente, datas, estado e fotografia à saída, acessórios entregues (cabos, mangueiras) e caução, conforme o contrato.
  • Devolução com fotografia e comparação com a saída, para verificar danos.
  • Faturação do aluguer por período, com dias adicionais e, se previsto, a cobrança de danos sobre a caução. No exemplo, um martelo demolidor volta um dia tarde e o dia extra é calculado pelo preço do contrato e descontado da caução, como o contrato prevê.
  • Venda e aluguer na mesma plataforma: os artigos de venda baixam o stock, e os equipamentos de aluguer têm disponibilidade por unidade.

Manutenção: o equipamento tem de estar em condições quando sai

Uma ferramenta elétrica ou um equipamento de construção alugado tem de estar em condições de segurança em cada aluguer. Um compressor sem verificação da válvula de segurança ou um andaime com peças degradadas são riscos de acidente, com responsabilidade para quem aluga. O sistema deve ter um plano por equipamento, por horas de uso ou tempo desde a última intervenção, e bloquear a máquina quando o limiar passa. No exemplo, a checklist no telemóvel encontra o cabo danificado e o equipamento fica fora de aluguer até ser reparado e verificado de novo.

Manutenção: o que já passou o limiar e não pode sair
Compressor
112 de 100 horasBloqueado: revisão antes de sair
Betoneira 1
96 de 100 horasSai, revisão na devolução
Martelo demolidor
38 de 80 horasDisponível
Módulos de andaime
84 de 90 dias desde a inspeçãoSai, revisão na devolução
Gerador
22 de 150 horasDisponível
Dentro do limiarPerto do limiarAcima do limiarLimiar de manutenção
Um equipamento acima do limiar de manutenção não aparece como disponível. O limiar, por horas ou por tempo, vem das instruções do fabricante e da política da empresa, e o sistema marca a máquina como bloqueada até a revisão ficar registada. O registo da manutenção é também a prova de que o equipamento estava em condições quando saiu. Os limiares e as horas do exemplo são fictícios.
Exemplo hipotético, com cinco equipamentos, horas de uso e limiares fictícios.
  • Plano por equipamento com o limiar das instruções do fabricante.
  • Registo de cada intervenção: data, técnico, peças e resultado da verificação.
  • Histórico por máquina: compra, horas, intervenções e danos reportados, que serve de prova de diligência num acidente ou inspeção.

Regras que interessam

  • Faturação certificada: a obrigação de usar programa certificado pela AT depende do volume de negócios e de outros critérios, e emitir documentos em folhas de cálculo ou programas não certificados pode dar lugar a coimas. Confirme o seu caso com o contabilista.
  • Segurança de máquinas: o Decreto-Lei n.º 103/2008, que transpõe a Diretiva Máquinas, fixa os requisitos de segurança das máquinas colocadas no mercado. Quem usa o equipamento em trabalho está sujeito às regras de segurança dos equipamentos de trabalho, e há equipamentos (como os de elevação) com inspeções próprias. O que cabe ao locador e ao utilizador depende do contrato: valide-o com um técnico de segurança e com a seguradora.
  • Produtos químicos: as tintas, vernizes, solventes, colas e vedantes classificados como perigosos têm fichas de dados de segurança e regras de rotulagem e de armazenamento (Regulamentos REACH e CLP). O sistema deve associar as fichas às referências e identificar os produtos perigosos.
  • Dados pessoais: os documentos de identificação e as fotografias de clientes num aluguer são dados pessoais, com finalidade e prazo de conservação definidos.

Este resumo vem de fontes públicas e não substitui o parecer de um técnico de segurança ou de um jurista. As regras mudam, por exemplo com o Regulamento (UE) 2023/1230 sobre máquinas, que substituirá a diretiva a partir de 2027.

Indicadores que vale a pena seguir

  • Rotação de stock por família e artigos parados há mais tempo.
  • Rupturas em artigos de grande saída, e vendas perdidas.
  • Ocupação da frota e margem de cada equipamento, depois da manutenção.
  • Danos e manutenções por equipamento e por cliente.
  • Vendas por cliente profissional e por obra.

Programa pronto ou à medida

  • Só loja, com preços de tabela iguais para todos: recomendamos um ponto de venda com faturação certificada.
  • Clientes profissionais com preços e limites próprios: se o programa não os trata, uma camada à medida pode fazê-lo, ligada por API se der acesso ou por exportação.
  • Frota de aluguer com caução e verificação entre alugueres: é onde um programa de loja menos ajuda: o caso mais claro para software à medida.
  • Venda e aluguer no mesmo stock: se vivem em folhas separadas, um sistema à medida junta-os.

Quanto custa

  • Automação pontual, como o alerta de stock mínimo ou o lembrete de devolução: a partir de €300.
  • Dashboard com stock, vendas, ocupação de frota e manutenções: a partir de €500.
  • Aplicação web com aluguer, manutenção por equipamento e portal de clientes profissionais: a partir de €800.
  • App mobile para fotografar saídas e devoluções e contar inventário: a partir de €2.500.
  • Manutenção mensal: a partir de €50.
  • Ponto de venda com faturação certificada, portal com encomendas e integrações, e sistemas completos de loja: orçamentamos caso a caso.

O preço final fixa-se na proposta. O retorno depende de onde a empresa perde hoje: rupturas, máquinas prometidas em duplicado, danos sem prova, tempo de balcão em telefonemas. Conte-os durante um mês antes de pedir propostas.

O que perguntar a um fornecedor

  • Como separa artigos de venda e de aluguer, e mostra a disponibilidade?
  • Como se aplicam os preços por cliente e por família de produto?
  • Como bloqueia uma máquina que passou o limiar de manutenção?
  • Como guarda as fotografias de saída e de devolução e a caução?
  • Como se liga ao meu programa de faturação certificado e ao ponto de venda?
  • Quanto custa ao fim de três anos, e como levo os dados se mudar?

Por onde começar

Comece pelo registo de aluguer com fotografias e pelo plano de manutenção, se tem frota, ou pelo stock mínimo e pelos preços por cliente, se é sobretudo loja. O portal de clientes profissionais é o passo seguinte.

Começamos pelo processo mais repetitivo. Contacte-nos para uma conversa sem compromisso, com estimativa de custo e prazo. Veja também as soluções para bricolage e ferramentas, o guia de gestão de stocks e os exemplos por setor.