Uma empresa de aluguer de equipamentos vive de máquinas que saem e voltam: plataformas elevatórias, mini-escavadoras, geradores, compactadores, andaimes. Cada uma é um ativo caro, que só paga o lugar no parque se estiver alugada, se voltar sem danos por cobrar e se sair com a documentação de segurança em dia. Este guia é para quem gere uma empresa de aluguer de equipamentos de construção, elevação ou energia em Portugal. Escrevemo-lo como quem constrói este tipo de software, com exemplos em vídeo onde os temos. Se o aluguer é um complemento de uma loja de ferramentas, veja o guia de software para bricolage e aluguer de ferramentas; para a venda de materiais em obra, o de distribuidoras de materiais de construção.

O parque: uma ficha por máquina

  • Identificação: número interno, número de série, matrícula quando a tem, modelo, ano e capacidade (toneladas, altura de trabalho, kVA).
  • Valor e custos: valor de aquisição, amortização, seguro, manutenções e reparações, para saber o que cada máquina custa por ano.
  • Contadores: horas de motor ou quilómetros, lidos à saída e à devolução.
  • Estado e local: disponível, alugada, em manutenção, avariada, e em que depósito ou obra está.
  • Etiqueta com QR para abrir a ficha no telemóvel, no parque ou na obra.

Os contadores podem marcar a manutenção. Num exemplo para uma empresa de serviços industriais, fictícia, o compressor nas 1.985 horas de um plano de 2.000 fica com a preventiva devida e a ordem de trabalho abre com tarefas e peças. Num parque, o plano pode usar as horas lidas à devolução, ou a telemetria quando o equipamento o permite.

Rentabilidade: o que cada máquina rende

A faturação total diz pouco. Interessa saber que máquinas passam o ano alugadas e quais ficam paradas a custar amortização e seguro. Com os dias, a receita e os custos de cada uma, comprar, vender ou subalugar nos picos deixa de ser à intuição:

Quanto rende cada máquina do parque
EquipamentoDias alugado no anoReceitaCusto do anoResultado
Mini-escavadora 1,8 t
214 dias · 59 %20.330 €6.200 €14.130 €
Plataforma tesoura 10 m
241 dias · 66 %16.870 €4.300 €12.570 €
Gerador 60 kVA
96 dias · 26 %8.160 €7.600 €560 €
Compactador de placa
158 dias · 43 %3.476 €900 €2.576 €
Plataforma articulada 16 m
122 dias · 33 %19.520 €9.800 €9.720 €
Gerador 60 kVA: 96 dias alugado em 365A receita (8.160 €) mal cobre o custo do ano (7.600 €). Antes de comprar outro, veja se a procura se concentra num período e se compensa subalugar nos picos.
A pergunta não é «quanto faturou», é «quanto rendeu cada máquina». O sistema soma os dias alugados, a receita e os custos de cada equipamento (amortização, seguro, manutenção, transporte), e mostra quais pagam o lugar no parque. As tarifas, os dias e os custos do exemplo são fictícios.
Exemplo hipotético de cinco equipamentos num ano, com tarifas e custos fictícios.

A taxa de utilização «saudável» depende do tipo de máquina, da sazonalidade e da política de preços. Defina o seu alvo e compare-se consigo própria.

Saída e devolução: provar o estado da máquina

Um dano só se cobra se a saída o provar. Entrega e devolução registam-se da mesma maneira: fotografias dos mesmos pontos, contador de horas, nível de combustível, acessórios entregues e assinatura do cliente no ecrã. O software compara as duas e mostra o que é novo:

Devolução de uma plataforma: o que mudou desde a saída
1234
Saída · 3 out4 fotografias · 412 h · depósito cheio
Devolução · 10 out6 fotografias · 431 h · depósito a ¼
1
LançaRisco de 15 cm
Dano novo
2
CestoJá registado à saída
Já existia
3
Pneu traseiro esquerdoGolpe lateral
Dano novo
4
Contador412 h → 431 h
19 h de uso
Aluguer, 7 dias595,00 €
Combustível em falta48,00 €
Danos: orçamento de reparação210,00 €
Total, sem IVA853,00 €
Caução de 500 € retida até o cliente aceitar o orçamento dos danos
O dano só se cobra se a saída o provar. A fotografia, o contador e o combustível registados à saída e à devolução, assinados pelo cliente, separam o que é novo do que já existia. O valor dos danos segue o que o contrato prevê. A máquina, os valores e o cliente do exemplo são fictícios.
Exemplo hipotético da devolução de uma plataforma articulada, com danos e valores fictícios.
  • Termo de entrega e de devolução digital, com fotografias, contadores e assinatura.
  • Comparação entre saída e devolução, separando danos novos de danos já registados.
  • Orçamento de reparação e cobrança conforme as condições do contrato, com a caução e a sua devolução registadas.
  • Extras: combustível em falta, limpeza, consumíveis, dias adicionais.

Num exemplo para uma loja de bricolage e ferramentas, fictícia, um martelo demolidor volta um dia atrasado: o dia extra é calculado pelo preço do contrato e descontado da caução, como o contrato prevê.

As condições de danos, caução e responsabilidade vêm do contrato de aluguer e das condições gerais. Se o cliente for um consumidor, há ainda regras de proteção do consumidor e de cláusulas contratuais gerais. Valide o modelo de contrato com um jurista.

Segurança: a máquina só sai com a documentação em dia

Os equipamentos de trabalho estão sujeitos ao Decreto-Lei n.º 50/2005, que prevê verificações depois da instalação, periódicas para equipamentos sujeitos a deterioração e extraordinárias depois de acontecimentos excecionais, feitas por pessoa competente. O diploma não fixa a periodicidade em geral: o Tribunal Constitucional (Acórdão n.º 825/2021) considerou que a falta de verificação periódica só é contraordenação quando outro diploma ou o manual do equipamento a impõe. Os intervalos vêm do manual do fabricante, das normas aplicáveis e de diplomas específicos, como os de aparelhos de elevação.

Antes de sair: a documentação de cada máquina
Plataforma articulada 16 m
Verificação periódicaválida até 03/2027
Manual em portuguêsna máquina
Formação do operadorsem registo do cliente
Não sai: falta comprovativo da formação do operador
Mini-escavadora 1,8 t
Verificação periódicaválida até 11/2026
Revisão do fabricantefaltam 20 h
Manual em portuguêsna máquina
Sai, revisão marcada para a devolução
Gerador 60 kVA
Verificação elétricaválida até 08/2027
Manual em portuguêsna máquina
Instruções de ligação à terraentregues
Pode sair
Antes de sair, cada máquina passa por uma lista. A verificação periódica em dia, o manual em português, os acessórios e, quando o contrato o prevê, o registo de formação do operador do cliente. O que verificar e com que periodicidade vem do manual do fabricante, das normas aplicáveis e de um técnico de segurança. As máquinas e as datas do exemplo são fictícias.
Exemplo hipotético de três equipamentos, com estados e datas fictícios.

O que cabe ao locador e ao cliente, quem verifica, quem forma o operador e quem responde pelo uso em obra, depende do contrato e da situação, por isso convém definir isto com um técnico de segurança e com a seguradora. As máquinas novas colocadas no mercado seguem o regime das máquinas (Decreto-Lei n.º 103/2008), que será substituído pelo Regulamento (UE) 2023/1230, aplicável a partir de janeiro de 2027. Confirme as datas e o que muda para o seu parque.

No mesmo exemplo de bricolage, o equipamento devolvido passa pela checklist do seu tipo, no telemóvel. Com o cabo danificado, o equipamento fica fora de aluguer até ser reparado e verificado de novo.

Reservas, transporte e faturação

  • Disponibilidade por tipo de equipamento e por depósito, com reservas e alterações de datas.
  • Transporte: entrega e recolha em obra, com viatura, motorista e documento de transporte, e tarifa por zona ou por quilómetro.
  • Faturação na devolução nos alugueres curtos e por período nos longos, com prorrogações e revisão de tarifa, emitida por programa de faturação certificado. Veja o guia de faturação eletrónica em Portugal.
  • Crédito por cliente, com o valor em aberto e o que já está alugado.

Indicadores que vale a pena seguir

  • Utilização por equipamento e por família, no ano e por mês.
  • Resultado por máquina: receita menos amortização, seguro, manutenção e transporte.
  • Danos cobrados e por cobrar, e cauções retidas.
  • Máquinas paradas por documentação ou por manutenção, e quanto tempo.
  • Tempo entre devolução e nova saída.

Programa pronto ou à medida

Se o parque é pequeno, aluga ao dia e fatura na devolução, recomendamos um programa de aluguer pronto. É caso de software à medida quando:

  • Quer impedir a saída de uma máquina sem o que o contrato exige.
  • Os alugueres longos têm prorrogações, revisões de tarifa e faturação por período.
  • Quer o resultado de cada máquina.
  • Os danos e as cauções dão discussão.

Quanto custa

  • Automação pontual (aviso de verificação a expirar, lembrete de devolução ao cliente, alerta de caução por devolver): a partir de €300.
  • Dashboard com utilização e resultado por máquina, danos e máquinas paradas: a partir de €500.
  • Aplicação web com ficha por máquina, reservas, contratos, documentação de segurança e faturação por período: a partir de €800.
  • App mobile para o termo de entrega e de devolução, com fotografias, contadores e assinatura: a partir de €2.500.
  • Manutenção mensal: a partir de €50.
  • Sistemas completos com telemetria das máquinas, faturação certificada e integrações (ERP, pagamentos, fabricantes), quando o equipamento o permite ou se der acesso: orçamento caso a caso.

Antes de pedir propostas, conte durante um mês os danos por cobrar, as máquinas paradas à espera de papéis e as horas a montar faturas de alugueres longos. O preço final fixa-se na proposta.

O que perguntar a um fornecedor

  • Como regista a saída e a devolução, e como compara as fotografias e os contadores?
  • Como calcula o resultado de cada máquina, com amortização e manutenção?
  • Pode impedir que uma máquina saia com a verificação vencida ou sem o que o contrato exige?
  • Como trata as prorrogações e a faturação por período dos alugueres longos?
  • Como se liga ao meu programa de faturação certificado e, quando o equipamento o permite, à telemetria das máquinas?
  • Quais são os custos ao fim de três anos, e como levo os meus dados se mudar?

Por onde começar

Comece pelo termo digital de entrega e devolução, que é onde se decide a cobrança dos danos, e pela ficha por máquina com a documentação de segurança. A rentabilidade e a faturação por período vêm depois.

Na Soluções à Medida costumamos começar pelo processo mais repetitivo e ligamos ao programa de faturação por API, se der acesso, ou por exportação. Contacte-nos para uma conversa sem compromisso sobre o seu parque. Veja também o guia de gestão de obras, as soluções para construção, as soluções para bricolage e ferramentas e os exemplos por setor.