Um porto tem várias empresas com trabalhos diferentes. As empresas de estiva mobilizam equipas para carregar e descarregar navios. Os operadores de terminal gerem o pátio, os equipamentos e a movimentação dos contentores. Os agentes marítimos representam os armadores e coordenam a escala de cada navio, com pilotagem, rebocadores, abastecimento e documentação. Há ainda terminais de granéis, armazéns e depósitos alfandegários. Com equipas e certificados em folhas de cálculo e telefonemas, cada escala obriga a refazer contas à mão.

Escrevemos este guia como quem constrói software de gestão para empresas de estiva e operações portuárias. Os grandes terminais de contentores usam sistemas especializados de gestão de terminal (TOS), integrados com os pórticos e o pátio, que não são o que desenvolvemos nem o que um sistema à medida substitui. O que faz sentido à medida, para empresas de pequena e média dimensão, são os processos à volta: escalas de equipas, qualificações, registo das operações, acessos, faturação e documentação. Onde a lógica é a mesma, mostramos exemplos em vídeo de outros setores. Para o agenciamento e os transitários, veja o guia de software para agências marítimas e transitários.

Equipas, turnos e qualificações

  • Planeamento por escala de navio: cada navio precisa de um número de equipas que depende da carga a movimentar, da janela antes da partida e das gruas disponíveis no cais. É o processo crítico de recursos humanos de uma empresa de estiva e determina o custo de cada escala. Num exemplo do setor náutico, para uma marina fictícia, a agenda do pórtico marca a varagem de um veleiro numa vaga fora da maré baixa. Para as gruas do cais vale a mesma lógica, se o terminal der acesso aos dados.
  • Escalas de turno: o trabalho portuário funciona em turnos de dia e de noite, com trabalhadores efetivos e outros chamados conforme a necessidade. O regime aplicável depende da empresa e do porto: confirme-o na legislação e nos acordos coletivos em vigor. O sistema regista presenças, horas por turno e trabalho suplementar. Num exemplo que fizemos para uma empresa de limpeza, também fictícia, quando uma trabalhadora falta, a escala sugere quem está livre e já fez aquele posto, e quem coordena confirma a troca. Num porto, a sugestão pode ter em conta a habilitação exigida.
  • Qualificações e certificados: operadores de equipamento, trabalho com mercadorias perigosas e outras funções exigem habilitações com validade. O sistema regista cada certificado, avisa antes de expirar e impede a afetação de quem não tem a habilitação válida.
Escala de turno e validade das qualificações
Operador de equipamentoEstivador de caisSinaleiroMercadoria perigosaManhã · 08:00–16:00
J. Silva
P. CostaR. Dias
A. Nunes
M. Faria
Tarde · 16:00–00:00
L. MatosCertificado expira em 12 dias
T. LopesC. Rocha
S. Pinto
M. FariaCertificado expirado: não pode ser afeto
Noite · 00:00–08:00
J. Silva
H. SousaD. Reis
A. Nunes
B. Ramos
Exemplo hipotético. Ao montar a escala, o sistema confere as qualificações exigidas por função e avisa quando um certificado está a expirar ou já expirou, para que ninguém seja afeto a uma tarefa sem a habilitação válida.

Registo de operações de carga e descarga

  • Plano de carga (bay plan): o mapa do navio com a posição de cada contentor por fila e nível, o peso e a indicação de mercadoria perigosa e de frigorífico. Costuma chegar do navio em formato eletrónico (mensagem EDIFACT BAPLIE) e orienta a descarga e o carregamento.
  • Movimentos de contentores: cada descarga, posicionamento, pesagem e carregamento fica registado com a hora e o equipamento, para rastreabilidade e faturação por movimento. Na pesagem, o peso bruto verificado (VGM) é exigido pela convenção SOLAS.
Plano de carga de um navio: uma secção−18°−18°−18°−18°0102030405060708098284868890
Contentor normalFrigorífico (reefer)Mercadoria perigosa (IMDG)Fora de gabarito
Exemplo hipotético e simplificado. Cada caixa é um contentor, com a sua posição por fila e nível. O plano de carga recebido do navio diz onde está cada tipo de carga e ajuda a planear a descarga.

Segurança portuária e mercadorias perigosas

  • Código ISPS: o Código Internacional para a Proteção de Navios e de Instalações Portuárias obriga as instalações portuárias a ter um plano de proteção, um responsável designado e controlo de acesso de pessoas e veículos. O software pode manter o registo de entradas e saídas e os relatórios de incidentes. O prazo de conservação dos registos confirma-se com o plano da instalação e a autoridade competente.
  • Mercadorias perigosas (IMDG): o Código Marítimo Internacional de Mercadorias Perigosas divide-as em classes e impõe regras de estiva e de segregação. Nos terminais maiores, isto fica no sistema do terminal. Numa empresa mais pequena, o software pode registar as classes por contentor e alertar para posições ou documentos em falta.
  • Contentores frigoríficos: a monitorização da temperatura depende do equipamento e das ligações do terminal. O sistema pode registar as leituras que o terminal disponibiliza, por exportação ou se der acesso, e avisar quando saem do intervalo definido.

Faturação a armadores e transitários

A faturação de estiva e de terminal parte dos movimentos registados: tarifa por contentor ou por tonelada, acréscimos por serviços especiais (frigorífico, fora de gabarito, mercadoria perigosa) e armazenagem para além do período gratuito. Se estes dados vêm do registo das operações, a fatura sai sem reescrever nada. A faturação faz-se em software certificado pela AT, e o sistema à medida entrega-lhe os dados.

Escalas de navio e documentação

Para os agentes marítimos, a escala de um navio é uma sequência de serviços e documentos, da chegada ao fundeadouro à saída do porto: reserva de berço, pilotagem, rebocadores, abastecimento e recolha de resíduos. As declarações dos navios à chegada e à partida fazem-se pela Janela Única Logística (JUL), criada pelo Decreto-Lei n.º 158/2019, que transpôs a Diretiva 2010/65/UE. O software pode preparar os dados e acompanhar os prazos, mas a submissão faz-se na plataforma oficial, com os requisitos que ela definir.

Uma escala de navio, hora a horacarga e descarga · 13 h06:00Chegada aofundeadouro07:30Piloto erebocadores08:00Atracadono berço21:00Fim dasoperações21:45Saídado porto
Antes da chegadaDeclarações do navio e manifesto submetidos na Janela Única LogísticaDurante a escalaPilotagem, rebocadores, abastecimento e recolha de resíduos coordenadosDepois da saídaFaturação dos serviços e relatório da escala
Exemplo hipotético. O agente marítimo coordena tudo o que rodeia a escala: os serviços ao navio, as declarações e a faturação. O software mostra o cronograma e as tarefas de cada fase.

Indicadores de gestão

  • Movimentos por grua e por hora: a produtividade das operações do navio. Compare-o com o seu histórico.
  • Tempo de permanência dos contentores no pátio: dias entre a descarga e a saída, sinal de eficiência logística e de congestionamento.
  • Incidentes de segurança por movimentos: acidentes e incidentes por cada 100.000 movimentos.
  • Ocupação do pátio: a percentagem da capacidade em uso. O valor a partir do qual há risco depende do terminal.

Prateleira ou à medida

  • Opera um terminal com pórticos e pátio próprios: o caminho é um TOS especializado; à medida, só o que fica à volta.
  • O problema é só emitir faturas: um programa certificado de prateleira chega.
  • A escala de equipas cruza regras do porto, acordos coletivos e habilitações numa folha de cálculo: é caso para à medida.
  • Os movimentos são registados duas vezes, no cais e para faturar: à medida, o registo alimenta a fatura.
  • Trabalha com vários terminais e junta os dados à mão: ligamos por API se der acesso, ou por exportação.

Recomendação nossa: onde a prateleira cobre o processo, comece por ela.

Quanto custa

Um sistema completo para um terminal ou uma empresa de estiva de grande dimensão, com integração de equipamentos e sistemas portuários, está fora do que propomos. Para empresas de menor dimensão: automação pontual, como avisos de validade de certificados, a partir de €300; dashboard de indicadores a partir de €500; aplicação web para um processo, como a escala de equipas ou o registo de operações, a partir de €800; app mobile para registo no cais a partir de €2.500; manutenção mensal a partir de €50. As ligações a sistemas do porto ou de terceiros orçam-se caso a caso; o preço final fixa-se na proposta. Exemplo hipotético: começar pela escala de equipas com avisos de certificados fica no patamar da aplicação web.

Veja os exemplos para transporte e logística e para náutica e marítimo, e explore os exemplos por setor. Para a ponta terrestre da cadeia, veja o guia de software para transporte e logística. Na Soluções à Medida começamos pelo processo mais repetitivo e orçamos caso a caso. Contacte-nos.