Durante anos, o email, o Excel e o WhatsApp foram a única forma acessível de as PME gerirem projetos. Funciona com equipas pequenas e projetos simples, e deixa de funcionar quando o negócio cresce. Este guia é para quem gere projetos numa PME. Escrevemo-lo como quem constrói este tipo de software e, onde temos exemplo em vídeo, mostramos o que acontece no ecrã. Cobre o que o software deve fazer, como decidir entre uma plataforma pronta e um desenvolvimento à medida, os cuidados legais em Portugal e quanto custa.

Onde falha a gestão por email e Excel

  • Versões perdidas: quando cinco pessoas mexem no mesmo ficheiro, aparecem «plano_v3_final_REVISTO» e variantes, e ninguém sabe qual é a mais recente. As decisões passam a basear-se em dados desatualizados.
  • Falta de visibilidade: o gestor não vê, num único ecrã, o estado das tarefas, quem está atrasado ou quem está sobrecarregado. Para o saber, envia emails e compila respostas à mão.
  • Prazos falhados: sem dependências entre tarefas, ninguém é avisado de que o prazo seguinte está em risco, e o problema descobre-se tarde.
  • Quem faz o quê: a atribuição por email cria ambiguidade, e as tarefas ficam por fazer porque cada um julga que outro está a tratar.

O custo disto é real, mas varia de equipa para equipa, e não conhecemos um número fiável que valha para todas. Meça o seu: quantas horas por semana se gastam a compilar estado, a procurar versões e a acertar quem faz o quê.

O que deve fazer um software de gestão de projetos

  • Tarefas: criação, atribuição, prioridade e estado, com prazo e responsável.
  • Dependências: a tarefa B só começa quando a A acabar, com as datas recalculadas quando há atrasos.
  • Linha do tempo e Gantt: o caminho crítico, para antecipar conflitos.
  • Recursos: alocação de pessoas e equipamentos, com aviso de sobrecarga.
  • Registo de horas: o tempo gasto em cada tarefa, para controlar custos e faturar.
  • Documentos: um repositório por projeto, com versões e permissões.
  • Comunicação no contexto da tarefa, em vez de dispersa por email.
  • Relatórios: estado, desvios, custos e previsão de conclusão.
Tarefas, dependências e caminho crítico de um projeto
dia 0dia 5dia 10dia 15dia 20dia 25dia 30dia 35LevantamentoDesenhoDesenvolvimentoValidação do clienteFormaçãoArranqueAtraso de 4 dias no desenho: o arranque também atrasa 4
Caminho críticoCom folga
As dependências dizem o que atrasa o projeto e o que não atrasa. A validação do cliente tem folga, e o desenho e o desenvolvimento não. O sistema recalcula as datas quando uma tarefa do caminho crítico derrapa, e avisa quem é afetado.
Exemplo hipotético de um projeto de implementação, em dias. As setas são dependências («só começa quando a anterior acabar»), e as barras a vermelho formam o caminho crítico.
Carga de cada pessoa por semana, em percentagem da capacidade
S1S2S3S4S5S6
Ana60%80%110%130%90%70%
Rui90%100%95%60%50%40%
Sofia40%50%70%100%120%110%
Marta30%35%40%45%60%80%
A Ana está a 130% na semana 4 e a Sofia a 120% na semana 5. O sistema mostra a sobrecarga antes de ela acontecer, e permite mover trabalho para quem tem folga, como o Rui a partir da semana 4.
Exemplo hipotético de uma equipa de quatro pessoas ao longo de seis semanas. Cada célula é a carga atribuída sobre a capacidade disponível, e acima de 100% há sobrecarga.

Plataforma pronta ou à medida

As plataformas prontas a usar estão disponíveis de imediato, têm subscrições por utilizador e funcionalidades desenvolvidas ao longo de muitos anos. Servem muitas PME, e recomendamos começar por aí se os seus projetos seguem um padrão comum e a equipa aceita adaptar os fluxos à ferramenta. Os preços e as condições mudam, por isso peça propostas atuais.

Os sinais de que o seu caso pede uma solução à medida são estes:

  • A faturação depende do projeto: fases, marcos ou autos de medição que têm de chegar à fatura sem reescrever dados.
  • O fluxo é do setor: autos de medição na construção ou fases de licenciamento em arquitetura, que uma plataforma genérica obriga a contornar.
  • Os dados vivem noutros sistemas: a ligação à faturação e ao ERP que a empresa já usa é tão importante como as tarefas.
  • A equipa é pouco digital: precisa de uma interface em português, com só os ecrãs que usa.

Se nenhum destes sinais lhe diz respeito, uma plataforma com pouca configuração é provavelmente a opção mais económica a curto prazo.

Uma solução à medida adapta a ferramenta ao processo, e não o contrário. Veja também os guias de SaaS ou software à medida e de low-code ou desenvolvimento à medida.

Requisitos específicos de Portugal

  • Faturação por fase ou por marco: a fatura continua a sair do programa certificado, e o software de projetos prepara o pedido. No exemplo que fizemos para uma consultora fictícia, um diagnóstico de 24.000 € está dividido em três fases e, quando o cliente aprova o relatório da fase 2, a aprovação gera o pedido de fatura de 9.600 € dessa fase. Na construção, os autos de medição podem gerar-se a partir do progresso registado. Veja o guia de faturação eletrónica em Portugal.
  • Tempo de trabalho e presenças: o empregador tem de registar os tempos de trabalho e conservar o registo durante cinco anos (artigo 202.º do Código do Trabalho). Se o software de projetos registar horas, convém distinguir as horas de projeto, para custeio e faturação, do registo legal do tempo de trabalho, que tem regras próprias. Veja o guia de software de recrutamento e RH.

Cascata, ágil ou híbrido

  • Cascata: para requisitos estáveis e sequência definida (obras, engenharia, infraestruturas), com Gantt, dependências e controlo de desvios ao plano base.
  • Ágil: para requisitos que evoluem depressa (desenvolvimento de software, marketing), com ciclos curtos, lista de tarefas pendentes e quadros Kanban.
  • Híbrido: a realidade de muitas PME. Um projeto de implementação tem fases definidas com ciclos iterativos dentro de cada uma, e uma obra tem planeamento em cascata com gestão de subcontratados mais flexível.

A metodologia deve partir do tipo de entregável e da incerteza nos requisitos, e não da ferramenta disponível.

Casos de uso por setor

Horas, custos e desvios

O registo de horas por tarefa é o que transforma um plano numa ferramenta de gestão. Sem ele, só se sabe que um projeto derrapou quando já terminou. Com ele, o gestor vê a meio do projeto em que semana o orçamento de horas acaba se o ritmo se mantiver, e pode renegociar o âmbito ou o prazo a tempo. No exemplo que fizemos para um atelier de arquitetura fictício, a arquiteta regista as horas da semana por projeto e por fase e, quando o licenciamento passa as horas previstas, a margem dessa fase cai e fica à vista.

Horas gastas face ao orçamento e previsão de desvio
0 h140 h280 h420 h560 hS1S2S3S4S5S6S7S8S9S10S11S12Orçamento: 420 horasAo ritmo atual, ultrapassa o orçamento na semana 11Horas acumuladas registadas (azul) e previsão ao ritmo das últimas três semanas (vermelho)
O registo de horas permite ver o desvio a meio do projeto, e não no fim. Com as horas registadas por tarefa, o gestor percebe em que semana o orçamento acaba se o ritmo se mantiver, e pode renegociar o âmbito ou o prazo a tempo.
Exemplo hipotético de um projeto de 12 semanas com 420 horas orçadas. A previsão é uma extrapolação simples do ritmo recente, e não substitui o julgamento do gestor.

Ligações a outras ferramentas

  • ERP: ler dados de fornecedores, centros de custo e plano de contas, e enviar horas e materiais, sem reintrodução manual. Veja o guia de ERP à medida para PME.
  • CRM: quando um negócio é ganho, o projeto nasce com os dados do cliente, o âmbito e o valor contratado. Veja o guia de CRM à medida para PME.
  • Faturação: os dados das fases aprovadas passam ao programa certificado.
  • Comunicação: notificações por email e pelas ferramentas de comunicação que a equipa usa, quando as tarefas mudam, sem obrigar a abrir a plataforma.

Costumamos ligar por API quando o programa dá acesso, e por exportação quando não dá.

Quanto custa

  • Automação pontual (avisos de tarefas atrasadas, resumos semanais de horas por projeto, criação do projeto a partir de um negócio ganho): a partir de €300.
  • Dashboard com estado dos projetos, carga da equipa e horas contra orçamento: a partir de €500.
  • Aplicação web com tarefas, dependências, recursos, horas e documentos: a partir de €800.
  • App mobile para registar horas e atualizar tarefas no terreno: a partir de €2.500.
  • Manutenção mensal: a partir de €50.
  • Integrações com ERP, faturação certificada e CRM, e sistemas completos com vários módulos: orçamentamos caso a caso.

O preço final fixa-se na proposta. Para comparar com uma plataforma pronta, some a subscrição de todos os utilizadores durante o período que lhe interessa, inclua as extensões e as integrações que tiver de pagar à parte e o custo de sair.

Migrar do Excel

  • Mapear os dados: projetos, tarefas, responsáveis, prazos e estados, e como se traduzem no novo sistema. A análise revela inconsistências que convém resolver antes.
  • Escolher o histórico: migrar os projetos em curso e um período recente, e manter o resto em arquivo para consulta.
  • Importar: por ficheiro Excel ou CSV, em vez de reescrever à mão.
  • Formar: duas ou três pessoas que conhecem bem o sistema e apoiam os colegas, e uma fase em paralelo antes de abandonar o Excel.

O erro mais comum é lançar o software sem formação e culpar a ferramenta pela falta de adoção. A formação faz parte do projeto, com tempo e orçamento.

Por onde começar

Responda a estas perguntas: quantos projetos gere em simultâneo, qual é a dimensão média das equipas, que sistemas existem e com que profundidade é preciso ligá-los, e que orçamento há, mensal (subscrição) ou de investimento inicial. Com as respostas, vê se chega uma plataforma pronta configurada ou se compensa um desenvolvimento à medida por fases. Nesse caso, começamos pelo processo mais repetitivo, por exemplo tarefas e horas, e juntamos a faturação e os relatórios depois.

Na Soluções à Medida fazemos software de gestão de projetos adaptado à empresa e ao setor de cada cliente. Contacte-nos para uma conversa sem compromisso, com estimativa de custo e prazo, e veja os exemplos por setor.