Uma serralharia vende trabalho feito à medida: um portão, um gradeamento, uma estrutura, uma caixilharia. Cada obra tem o seu orçamento, desenho, material, fases de oficina e instalação, e o custo real pode fugir do orçamento sem ninguém o notar. Este guia é para quem gere uma serralharia e está a decidir entre um programa de prateleira e um feito à medida. Escrevemo-lo como quem constrói este software e, onde temos, mostramos um exemplo em vídeo.

  • Serralharia artística: portões, gradeamentos, corrimões e mobiliário em ferro forjado ou aço.
  • Estruturas metálicas: coberturas, alpendres, escadas de serviço e suportes de painéis solares.
  • Alumínio e caixilharia: janelas, portas, fachadas e divisórias, muitas vezes com listas de corte de software de caixilharia.
  • Portões e vedações: portões motorizados, vedações e cancelas, com instalação e manutenção.
  • Serralharia industrial: suportes, proteções e componentes para a indústria.

Orçamentos e fichas de obra

O orçamento de uma peça inclui o material (quilogramas de aço ou de ferro, perfis, chapa), os consumíveis de soldadura, as horas de serralheiro, o tratamento (galvanização ou pintura, muitas vezes subcontratados) e a instalação. Um programa à medida pode calcular o preço a partir de tabelas de materiais e de custos por hora, e guardar cada orçamento para o reutilizar em obras parecidas. Veja também o guia de software de orçamentação e propostas.

  • Ficha de obra: descrição, desenho, lista de materiais, operações (corte, dobragem, soldadura, lixagem, acabamento) e prazo prometido.
  • Custo real contra orçado: as horas e o material realmente gastos, para o orçamento seguinte ser mais rigoroso.
  • Portefólio: fotografias de obras concluídas, ligadas à ficha.

Produção em oficina

Material, barras e remanescentes

O material metálico é grande parte do custo. As encomendas de perfis, barras, chapa e tubo podem juntar várias obras, e o stock guarda cada perfil por comprimento, com os consumíveis. O plano de corte de barras pode reduzir as sobras, e o sistema pode guardar os remanescentes utilizáveis. Veja o guia de gestão de stocks e inventário.

Plano de corte de um gradeamento em barras de 6 000 mm
Barra 16 000 mm
195019501950
Sobra 150 mm
Barra 26 000 mm
12001200800800800800400
Sobra 400 mm
Montantes · 3 × 1 950 mmTravessas · 2 × 1 200 mmVarões · 4 × 800 mm
11 450 mm de peças em duas barras de 6 000 mm. O sistema agrupa as peças de uma ou de várias obras para reduzir as sobras, e guarda o que sobra como remanescente utilizável, em vez de o tratar como sucata. O desenho não considera o corte da serra, que o sistema desconta.
Exemplo hipotético, com as medidas de um gradeamento. O sistema calcula em que barra cai cada peça, para gastar o menos material possível, e mostra a sobra de cada barra.

Tratamento anticorrosão e acabamentos

Antes da pintura, as peças têm tratamentos como decapagem, galvanização ou fosfatação, e depois pintura epóxi, de poliuretano ou em pó. Registar o tratamento de cada peça dá rastreabilidade e permite saber o que se fez quando aparece um problema.

Camadas de proteção de uma peça e a ficha que as regista
Tinta de acabamentocor RAL, brilho e aplicação
Primárioaderência e proteção
Galvanização a quentesubcontratada
Aço da peçaperfil e qualidade do material
Ficha de tratamento · peça G-014
PeçaPortão de ferro forjado, 2 folhas
ObraMoradia Exemplo, Braga
TratamentoGalvanização a quente + pintura
CorRAL 7016
Lote de tintaL-2209-B
Aplicada em14/09/2026, por J. Silva
GarantiaCondições do contrato
Esquema simplificado e ficha com dados fictícios. A ficha de cada peça guarda o tratamento aplicado, a cor, o lote de tinta, quem aplicou e quando, e é esse registo que permite responder se um cliente reclamar.

Portões motorizados, caixilharia e estruturas

Cada linha de produto tem normas próprias, e um programa à medida pode guardar os registos que as provam. O que se aplica a cada caso confirma-se com o fabricante e o organismo competente.

  • Portões motorizados: são máquinas. As normas de produto e de segurança de portões (como a EN 13241), da sua utilização motorizada (como a EN 12453) e a marcação CE estão entre as referências do setor, e a responsabilidade do conjunto costuma recair sobre quem o instala. Confirme com o fabricante do motor o que se aplica a cada instalação.
  • Caixilharia: as janelas e portas exteriores seguem a norma de produto EN 14351-1, com marcação CE e declaração de desempenho. Os sistemas de alumínio têm listas de corte e ferragens específicas de cada fabricante do sistema.
  • Estruturas metálicas: a marcação CE de estruturas de aço segue a EN 1090, com controlo da produção em fábrica, e a soldadura segue a EN ISO 3834. Os projetos de estruturas são assinados por técnicos legalmente habilitados.
  • Garantias: as garantias variam com o produto e com o tipo de cliente. Nas vendas de bens novos a consumidores, a lei prevê a garantia de conformidade do Decreto-Lei n.º 84/2021, e nos contratos com empresas vale o que for acordado. O sistema pode guardar o prazo de cada obra e as intervenções em garantia.
Da medição à revisão: o percurso de um portão motorizado
1
Levantamento de medidasNa obra, com fotografias
2
Fabrico e tratamentoFicha de cada peça
3
Instalação e ensaioDispositivos de segurança testados e registados
4
Entrega da documentaçãoInstruções, declaração de conformidade, contrato de manutenção
5
Revisões periódicasAvisos ao cliente antes de cada revisão
Um portão motorizado é uma máquina. Em regra, quem o instala responsabiliza-se pela conformidade do conjunto com as normas aplicáveis (por exemplo, as normas de produto e de segurança de portões motorizados, como a EN 13241 e a EN 12453, e a marcação CE). O sistema guarda a declaração, os ensaios de segurança e as revisões, para provar o que foi feito se houver um acidente ou uma reclamação.
O percurso é o mesmo para a maioria dos portões motorizados: desde a medição até às revisões periódicas, com registos em cada passo. As normas aplicáveis a cada caso devem ser confirmadas com o fabricante do motor e o organismo competente.

Instalação em obra e subempreiteiros

Faturação

  • A particulares e a empresas: fabricação, instalação e fornecimento de caixilharia a construtoras.
  • IVA em obras: algumas empreitadas podem ter taxa reduzida, por exemplo em reabilitação urbana, e em subempreitadas de construção civil pode aplicar-se a inversão do sujeito passivo. Valide cada caso com o contabilista.
  • Programa certificado: a fatura sai de programa certificado pela AT. Veja o guia de faturação eletrónica em Portugal.

Indicadores úteis

  • Margem por obra e por tipo de produto: a caixilharia de série tem uma margem diferente da de um portão artístico.
  • Prazo cumprido face ao prometido: sobretudo em obras de construção, onde os atrasos pesam.
  • Material por tipo de peça: por exemplo, quilogramas de ferro por metro de gradeamento.
  • Ocupação da oficina.

Prateleira ou à medida

A nossa recomendação: se faz sobretudo caixilharia de série e o software do sistema já lhe dá listas de corte e orçamentos, um programa de prateleira com faturação certificada pode chegar. O à medida faz sentido quando:

  • vende sobretudo obras únicas, orçadas por quilogramas, horas e tratamento subcontratado;
  • tem várias linhas de produto, cada uma com os seus registos e normas;
  • quer o plano de corte, os remanescentes e o stock no mesmo sistema;
  • já usa software de caixilharia ou de faturação e precisa de o ligar, por API se der acesso ou por exportação;
  • monta em obra com equipas próprias e subempreiteiros.

Quanto custa

  • Automação pontual (avisos de revisão de portões, alertas de prazos de entrega, relatórios de obra): a partir de €300, tipicamente €300–1.500.
  • Dashboard com margem por obra, ocupação da oficina e prazos: a partir de €500, tipicamente €500–3.000.
  • Aplicação web com orçamentos, fichas de obra, produção em oficina, stock e faturação: a partir de €800, tipicamente €2.000–12.000.
  • App mobile para a equipa registar fases, fotografias e instalações no terreno: a partir de €2.500, tipicamente €4.000–20.000.
  • Manutenção mensal: a partir de €50, tipicamente €50–300 por mês.
  • Integrações com software de caixilharia, máquinas de corte, ERP e faturação certificada, e sistemas completos com vários módulos: orçamento personalizado, caso a caso.

Os montantes são sem IVA, a faixa típica é a da maioria dos projetos de cada tipo, e o preço final fixa-se na proposta. Numa serralharia, o custo sobe com o número de linhas de produto, com a importação das listas de corte do software de caixilharia e com a migração de orçamentos antigos. Uma primeira fase útil é o orçamento com tabelas de material e de custo por hora, mais a ficha de obra com o custo real contra o orçado. Peça o preço dessa fase em separado e o que a manutenção inclui.

O que perguntar a um fornecedor

  • O orçamento e a ficha de obra usam as nossas tabelas e mostram o custo real contra o orçado?
  • O plano de corte de barras e os remanescentes ficam no mesmo sistema do stock?
  • A ficha de cada peça guarda o tratamento, o lote de tinta e quem o aplicou?
  • Os portões motorizados têm registos de ensaios e avisos de revisão?
  • Como se importam as listas de corte que já temos?
  • De quem é o código e os dados, e como se exportam se mudarmos de sistema?

Na Soluções à Medida podemos desenvolver software para serralharias, adaptado às suas obras e à sua oficina. Começamos pelo processo mais repetitivo, muitas vezes o orçamento e a ficha de obra, e orçamos caso a caso. Contacte-nos para uma conversa sem compromisso, com estimativa de custo e prazo. Veja também o guia de software para a indústria metalomecânica, as soluções para fabricação, as soluções para construção e os exemplos por setor.